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Rock in Rio 2026: Stray Kids faz história em estreia do K-pop na Cidade do Rock

Rock in Rio 2026 estreia o K-pop em grande estilo com Stray Kids, NEXZ e Hwasa, além de Soulidified no Global Village e uma programação multicultural.

O Rock in Rio 2026 entrou para a história nesta sexta-feira (11) ao dedicar pela primeira vez um dia inteiro do Palco Mundo ao K-pop. A escolha transformou a Cidade do Rock em um ponto de encontro para uma comunidade que há anos cresce no Brasil e que, desta vez, ganhou espaço para ocupar um dos maiores palcos do festival.

Mas a força da programação não esteve apenas nos nomes escalados para o Palco Mundo. Entre apresentações internacionais, artistas brasileiros, música eletrônica e diferentes experiências espalhadas pela Cidade do Rock, o festival construiu uma sexta-feira que foi muito além de simplesmente reunir artistas sul-coreanos. E o resultado foi uma das noites mais particulares desta edição.

NEXZ abre caminho para um dia histórico

Antes mesmo do headliner, o NEXZ deu início à programação do Palco Mundo e teve a responsabilidade de preparar o público para uma noite que já chegava carregada de expectativa.

Divulgação | Rock in Rio

O grupo apresentou faixas como “Beat-Boxer” e “SAUCIN’”, além de estabelecer uma comunicação bastante próxima com os fãs brasileiros. A interação em português ajudou a criar rapidamente uma conexão com a plateia, que respondeu com entusiasmo.

Mais do que funcionar como um simples show de abertura, a apresentação serviu para estabelecer o tom de uma noite em que a relação entre artistas e fãs seria parte fundamental do espetáculo.

Hwasa leva personalidade e presença de palco ao Rock in Rio

A programação ganhou ainda mais personalidade com Hwasa, conhecida também por seu trabalho no MAMAMOO, levando sua carreira solo ao Palco Mundo.

A artista passeou por diferentes momentos de sua trajetória e entregou apresentações de músicas como “Maria” e “Chili”, mantendo a postura confiante que se tornou uma de suas principais marcas.

Um dos momentos mais comentados foi quando Hwasa se aproximou da barricada e ficou ainda mais perto dos fãs. A escolha ajudou a quebrar a distância natural entre um palco daquele tamanho e o público, transformando parte do show em uma experiência mais íntima.

Rock in Rio | Divulgação

Se o tamanho do Palco Mundo poderia representar um desafio para uma apresentação solo, Hwasa mostrou que presença cênica não depende necessariamente de uma produção gigantesca. Sua personalidade ocupou o espaço por conta própria.

Alok transforma o Palco Mundo em um espetáculo audiovisual

Entre os artistas brasileiros da noite, Alok trouxe uma apresentação construída para dialogar diretamente com a grandiosidade do Rock in Rio.

O DJ abriu o espetáculo com uma produção visual que explorou o conceito “Keep Art Human”, utilizando o gigantesco painel de LED do novo Palco Mundo para criar uma experiência que misturou imagens tridimensionais, elementos espaciais e uma estética quase cinematográfica.

Drones, lasers, pirotecnia e um enorme trabalho de iluminação complementaram a apresentação. Ao todo, o show contou ainda com 45 dançarinos, reforçando a ideia de que a performance estava muito mais próxima de um espetáculo audiovisual completo do que de um DJ set convencional.

Canções como “Hear Me Now” e “Never Let Me Go” apareceram entre os momentos de maior reconhecimento do público. A participação de Zeeba também trouxe uma camada especial para a apresentação.

Outro recurso interessante foi a utilização das telas para mostrar crianças durante determinados momentos do espetáculo. Em meio a uma produção marcada por tecnologia, o elemento humano funcionou como contraponto.

Stray Kids encerra a noite com mais de duas horas de show

A grande expectativa da noite, naturalmente, estava sobre o Stray Kids. Como primeiro grupo de K-pop a encerrar uma noite do Palco Mundo na história do Rock in Rio, o grupo carregava uma responsabilidade que ia além de sua própria apresentação. Era também o momento de provar que a música coreana poderia ocupar aquele espaço com a mesma força destinada aos grandes nomes internacionais do festival. E os integrantes entenderam a dimensão da ocasião.

Com um palco de 2.400 m² de painéis de LED, o Stray Kids construiu uma apresentação visualmente grandiosa, alternando diferentes cenários, efeitos e momentos de interação com o público.

O repertório passou por músicas como “Chk Chk Boom” e “LALALALA”, entre outros sucessos da carreira. O público acompanhou praticamente cada momento, transformando a Cidade do Rock em um enorme coro.

Um dos momentos mais curiosos da noite aconteceu quando o grupo apresentou uma versão de “Ai Se Eu Te Pego”, mostrando novamente como a relação dos integrantes com o Brasil ultrapassa a simples passagem por um país durante uma turnê.

A comunicação com os STAY também foi fundamental. Em determinado momento, a ideia de transformar a Cidade do Rock em uma espécie de “STAY City” reforçou justamente aquilo que diferenciou aquela noite: não era apenas um show para fãs, mas uma experiência construída em conjunto com eles.

Com mais de duas horas de duração, o Stray Kids entregou um espetáculo que combinou coreografias, banda, produção audiovisual e interação. Para um festival que historicamente trabalha com artistas de gêneros muito diferentes, a apresentação mostrou que o K-pop consegue se adaptar perfeitamente à lógica de um grande festival de música, sem precisar abrir mão de suas características próprias.

Soulidified estreia no Brasil pelo Global Village

Enquanto o Palco Mundo concentrava o grande eixo da programação de K-pop, o Global Village recebeu outra atração internacional que também chamou atenção: o Soulidified.

A boyband, formada a partir de um reality show da Netflix, fez sua estreia no Brasil durante o Rock in Rio 2026, levando sua música para um público que circulava pelo espaço do festival.

A apresentação aconteceu dentro de uma proposta diferente daquela do Palco Mundo. Em vez de integrar a programação coreana da noite, o Soulidified apareceu como uma atração internacional do Global Village, reforçando a variedade de artistas que passaram pelos diferentes ambientes da Cidade do Rock.

Rock in Rio

A presença do grupo também ampliou o alcance da programação internacional do festival e deu ao público brasileiro a oportunidade de conhecer ao vivo uma banda que vem construindo sua trajetória a partir de uma formação bastante particular.

Jamiroquai mantém a identidade do Sunset

No Palco Sunset, o clima foi diferente, mas não menos importante. O Jamiroquai, liderado por Jay Kay, levou ao festival uma apresentação marcada pelo repertório que ajudou a consolidar o grupo internacionalmente.

“Virtual Insanity” foi, naturalmente, um dos momentos de maior reconhecimento, mas a apresentação também mostrou que reduzir o Jamiroquai a um único hit seria ignorar a dimensão de sua trajetória.

A banda também apresentou “Don’t Give Hate a Chance”, mantendo a mistura de funk, soul, acid jazz e pop que sempre esteve no centro de sua identidade.

A diversidade brasileira também ganhou espaço

A programação do Sunset foi além das atrações internacionais. Tirando o PJ Morton, integrante do Maroon 5, tivemos Os Garotin com Duquesa e Jota.pê com Luedji Luna e Zaynara, que ajudaram a construir uma sequência de apresentações que evidenciou a diversidade da música brasileira.

Essa combinação é justamente uma das características mais interessantes do Rock in Rio: mesmo em uma noite vendida ao público principalmente pela presença do K-pop, o festival não abandonou a ideia de colocar diferentes cenas musicais dividindo o mesmo espaço.

Espaço Favela mantém a conexão com diferentes cenas brasileiras

No Espaço Favela, nomes como Caio Luccas, Puterrier, MC Carol e Cabelinho com TZ da Coronel levaram diferentes vertentes do rap, funk e da música urbana brasileira ao festival.

É um palco que ajuda a lembrar que a diversidade do Rock in Rio não está apenas na quantidade de países representados, mas também na variedade de realidades e cenas musicais brasileiras presentes na programação.

Supernova aposta em novos nomes

O Supernova também teve uma programação movimentada, com apresentações de Muse Maya e Isa Buzzi. O espaço segue cumprindo uma função importante dentro do festival ao abrir espaço para artistas em momentos diferentes de suas carreiras e permitir que o público descubra novos nomes enquanto circula pela Cidade do Rock.

Entre o público, histórias pessoais também ajudaram a traduzir a dimensão afetiva do festival. Giovana, de 10 anos, por exemplo, viveu sua primeira experiência no Rock in Rio acompanhada pelos pais, que viajaram de Porto Alegre.

É um detalhe pequeno diante da dimensão do evento, mas que ajuda a entender por que o Rock in Rio continua sendo mais do que uma sequência de shows: para muita gente, estar ali também representa construir uma memória familiar.

Música eletrônica completa a programação

O New Dance Order manteve a proposta de transformar a madrugada em uma experiência dedicada à música eletrônica.

Nomes como ANNA, DEPARTAMENTO, OMIKI e o B2B de Neelix & Vegas passaram pelo espaço, oferecendo uma alternativa para quem queria continuar a noite depois dos grandes shows dos palcos principais.

A presença da música eletrônica também reforça uma característica importante desta edição: a Cidade do Rock funciona cada vez mais como um conjunto de experiências simultâneas, e não apenas como um circuito entre Palco Mundo e Sunset.

Uma noite que pertenceu aos fãs

Talvez o aspecto mais marcante desta sexta-feira tenha sido perceber que a estreia do K-pop no Palco Mundo não aconteceu apenas por causa dos artistas. Ela aconteceu também por causa do público.

Lightsticks, looks inspirados nos grupos, cartazes, brindes, coreografias e diferentes códigos compartilhados transformaram a Cidade do Rock desde cedo. A sensação era de que uma comunidade inteira havia se deslocado para o festival.

Isso é particularmente interessante porque o Rock in Rio sempre teve como uma de suas principais características a capacidade de reunir públicos diferentes. Desta vez, porém, essa comunidade chegou com uma identidade muito própria e conseguiu imprimir sua estética ao evento.

Ao mesmo tempo, o festival não se transformou completamente em um evento de K-pop. E talvez justamente aí esteja o acerto da programação.

O público pôde acompanhar Stray Kids, NEXZ e Hwasa no Palco Mundo, mas também encontrar Alok, Jamiroquai, Soulidified, artistas brasileiros, música eletrônica e diferentes manifestações culturais espalhadas pelos espaços.

A estreia do K-pop no Rock in Rio, portanto, não precisou apagar a identidade do festival para funcionar. Pelo contrário: mostrou que a Cidade do Rock pode receber uma cultura musical com códigos muito específicos e ainda assim incorporá-la ao seu universo.

E, depois de uma noite como essa, fica difícil imaginar que essa tenha sido a última vez que o K-pop ocupou um dos maiores palcos do Rock in Rio.

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