Assistir ao The Weeknd ao vivo em São Paulo é, antes de tudo, um lembrete do tamanho que um espetáculo pop pode atingir quando um artista realmente decide entregar tudo. Em tempos em que muitas turnês chegam à América do Sul adaptadas, com estruturas reduzidas ou soluções mais simples, o canadense faz o caminho oposto: ele faz questão de trazer o show completo, sem atalhos. E isso muda completamente a experiência dos fãs.
Estrutura 360° e proximidade com o público
Logo de cara, a sensação é de grandiosidade. Um palco em formato de cruz corta o estádio e transforma o show quase em uma experiência 360°, dessas que vêm ganhando força nos últimos anos. Ao longo de duas horas e meia de espetáculo, Abel percorre cada ponta dessa passarela, aproximando-se de diferentes setores e garantindo que, em algum momento, todo mundo tenha a sensação de estar pertinho dele. É um cuidado que não passa despercebido.
Impacto visual e produção técnica
Essa magnitude também aparece nos detalhes técnicos. O telão é imenso, daqueles que costumamos ver em grandes produções internacionais e dificilmente por aqui. Ele não funciona apenas como apoio, mas como parte ativa da narrativa visual do show. Somado a isso, o espetáculo ganha ainda mais força com os lasers, as pulseiras que acendem sincronizadas com as músicas e a pirotecnia bem distribuída pelo palco.
A estátua de Sorayama como protagonista
Um dos elementos mais marcantes da turnê também está presente: a gigante estátua de Sorayama, posicionada no meio do palco e que gira acompanhando os movimentos do artista. Com os olhos acesos e efeitos de fumaça saindo da boca, ela se torna quase um personagem dentro do show. Em alguns momentos, fogos explodem ao redor da estrutura, ampliando ainda mais o impacto visual e criando cenas que parecem saídas de um filme.
Conexão com o público brasileiro
Mas o que realmente diferencia o show do The Weeknd vai além da estrutura. É a forma como ele se conecta com o público brasileiro. Durante toda a apresentação, ele interage, comenta sobre a energia da plateia, ri dos coros altos e (nem sempre afinados) que são marca registrada dos shows no Brasil. Dá para perceber que ele está genuinamente se divertindo ali – e isso transforma completamente o clima.
Anitta aquece o estádio com energia
Antes de ele subir ao palco, quem assume a responsabilidade de aquecer o estádio é Anitta, e ela faz isso com autoridade. Misturando a nova fase do álbum “Equilíbrivm” com os hits que marcaram sua trajetória no funk, a cantora entrega um show energético, daqueles que colocam todo mundo para dançar. Um dos momentos mais intensos vem com “Lose Ya Breath”, quando ela puxa o público para abrir rodas e cria uma atmosfera quase de festival, com direito a mosh pit e muita vibração.
Mais tarde, já durante o show principal, Anitta volta ao palco e protagoniza um dos pontos mais altos da noite. A performance de “São Paulo”, parceria entre os dois, faz o estádio tremer. A resposta do público é imediata e intensa, daquelas que arrepiam. Como se não bastasse, ainda rola um presente: a estreia ao vivo de “Rio”, nova colaboração entre eles, apresentada em primeira mão antes mesmo de chegar às plataformas digitais.
Pontos de atenção na experiência
Claro que nem tudo é perfeito. Se há um ponto que pode ser visto como negativo, é a altura da passarela. Pensada para aproximar o artista do público, ela acaba sendo baixa demais em alguns trechos. Para quem não está tão perto ou não tem tanta altura, isso pode dificultar a visão direta do palco, deixando o telão como principal recurso em determinados momentos.
Um espetáculo coeso e envolvente
Mesmo assim, é um detalhe muito pequeno diante do todo. O show é coeso, bem construído e emocionalmente envolvente. Abel passeia pelos grandes hits da carreira, desacelera quando precisa e volta a crescer nos momentos certos, criando uma narrativa que prende do início ao fim.
Uma experiência à altura do público brasileiro
No fim das contas, o que fica é a certeza de que The Weeknd entende o peso do público brasileiro e faz questão de retribuir à altura. Não é só sobre música, é sobre experiência. E, nesse aspecto, ele entrega uma das mais completas que já passaram por aqui.
