⚠️| Atenção: esta crítica contém spoilers da Parte 1 da quinta temporada.
A primeira parte da temporada final de Stranger Things chega com a responsabilidade de conduzir uma história que marcou uma geração para o seu desfecho. Ao contrário das temporadas anteriores, que equilibravam aventura, nostalgia e humor com certa leveza juvenil, os novos episódios abraçam de vez o tom sombrio que vinha se anunciando desde a quarta temporada. Hawkins deixa de ser um cenário de mistério e passa a ser um território devastado, onde cada personagem finalmente precisa lidar com o peso emocional dos acontecimentos acumulados ao longo dos anos.
O aprofundamento dos personagens
Um dos maiores méritos desta fase é dar espaço ao desenvolvimento emocional de seus protagonistas. Eleven, que sempre foi apresentada como arma e salvação, agora enfrenta uma vulnerabilidade real. O roteiro abandona a ideia de que seus poderes são solução para tudo e explora a insegurança de alguém que já não sabe se é capaz de impedir o inevitável. Will, por sua vez, assume um papel que há muito o público esperava. O personagem deixa de ser apenas o ponto de partida do conflito e se torna parte ativa do fio narrativo, tendo sua sensibilidade e intuição finalmente tratadas com o devido peso dramático.
O grupo central já não carrega mais a inocência do início da série. Mike, Lucas, Dustin e Max atravessam esta temporada emocionalmente marcados, e o texto não tenta suavizar suas dores. As perdas anteriores continuam presentes, moldando decisões e gerando conflitos internos que tornam o grupo mais complexo do que nunca. O elenco, agora mais maduro, responde com atuações firmes, conscientes, que ressaltam o crescimento dos personagens e dos próprios atores.
Uma Hawkins irreconhecível
A destruição de Hawkins talvez seja o símbolo mais evidente da mudança de tom da série. A cidade, que um dia funcionou como uma espécie de cápsula nostálgica dos anos 80, agora é mostrada em ruínas, reforçando a sensação de que o mundo invertido não é mais uma ameaça distante, mas uma presença concreta e inevitável. Vecna retorna não apenas como antagonista, mas como a personificação dos traumas acumulados por cada um dos personagens. Sua presença é mais psicológica do que visual, o que torna seu impacto ainda mais perturbador.
Visualmente, esta é a temporada mais ambiciosa. Os efeitos especiais evoluíram para criar um ambiente mais denso, mais vivo e mais ameaçador, enquanto a direção aposta em planos longos e silenciosos que aumentam a tensão ao invés de recorrer a sustos fáceis. A fotografia mais escura e o ritmo mais cadenciado reforçam a atmosfera de fim dos tempos que permeia todos os episódios.
Um desfecho arrebatador
O final da Parte 1 cumpre a difícil tarefa de deixar o público inquieto. Não oferece respostas, não suaviza a tensão e não propõe alívio. Pelo contrário: conduz os personagens a um ponto sem retorno, intensificando a sensação de que qualquer desfecho possível será doloroso. É um encerramento corajoso, que prepara terreno para uma conclusão que promete ser devastadora, no melhor sentido narrativo.
As teorias que dominam o fim de Stranger Things
Com a reta final de Stranger Things cada vez mais próxima e o explosivo final do episódio 5×4, an internet foi tomada por uma onda de teorias sobre como a série deve se encerrar. O cliffhanger que coloca Will Byers (Noah Schnapp) no centro da narrativa reacendeu discussões antigas, dividiu fãs e fortaleceu algumas hipóteses que circulam desde os primeiros teasers da temporada.
A teoria mais popular aposta em um sacrifício definitivo de Eleven (Millie Bobby Brown Bonjovi), vista como a única capaz de selar a fissura entre o mundo real e o Upside Down. Segundo fãs, seu arco de “criança-arma” se completaria com um ato final que impediria o avanço de Vecna (Jamie Campbell), embora os criadores já tenham dito que não planejam um “banho de sangue” gratuito.
Outra linha forte aponta para Will como chave do desfecho, especialmente após o episódio 4 mostrar o personagem assumindo o controle de criaturas do Upside Down. Para muitos, isso indica que Will pode ser tanto o herói quanto o mártir da temporada: sua conexão com a dimensão paralela faria dele o único capaz de destruí-la por dentro, ainda que ao custo da própria vida.

Alguns fãs acreditam que o final trará uma reescrita da realidade, uma teoria que envolve viagem no tempo, loop temporal e a possibilidade de que o Upside Down seja uma versão congelada de Hawkins. Nesse cenário, os personagens precisariam desfazer eventos do passado para romper o ciclo que deu origem ao reinado de Vecna.
Há também quem sustente que Vecna não é o vilão final, mas apenas o intermediário de uma ameaça maior, possivelmente o Mind Flayer reconcebido como entidade suprema. Essa hipótese permitiria um confronto final de escala ainda maior que o visto até agora.
Sobre a Max (Sadie Sink), a hipótese diz que ela percebeu as fraquezas estruturais desse “mundo mental” do Vecna, rachaduras, padrões ou pontos vulneráveis que sustentam o poder dele, somente alguém preso dentro de uma fortaleza consegue descobrir falhas que quem está do lado de fora nunca enxergaria.
Ou seja: Max não seria apenas “a vítima que pode ser resgatada”, mas um elemento interno, um vírus dentro do sistema do próprio Vecna. Se ela retomar alguma consciência ou conseguir se comunicar, pode revelar o ponto onde Vecna é mais frágil, dando a Eleven e ao grupo a oportunidade necessária para atacar. Max é a chave escondida dentro da mente do monstro, e sua presença ali dentro pode ser exatamente o que transforma a batalha final.

Independentemente do rumo escolhido, episódio 5×4 deixou claro que a série caminha para um confronto de grande escala e que as apostas emocionais estão maiores do que nunca. O que antes eram especulações isoladas agora se tornou combustível para uma expectativa global em torno do capítulo final.
Conclusão
Nota final: 9/10
A quinta temporada de Stranger Things assume plenamente sua maturidade. A série, que nasceu como uma aventura juvenil com toques de ficção científica, agora apresenta um drama de grandes proporções, centrado em personagens profundamente marcados por tudo o que viveram. A Parte 1 se destaca pela coesão, pela evolução emocional do elenco e pela coragem de abandonar o conforto da nostalgia para abraçar a urgência de um fim que finalmente se aproxima.
