A 13ª edição do festival reuniu 285 mil pessoas ao longo do fim de semana e confirmou: o Lolla é muito mais do que shows. É um evento cultural completo.
O Autódromo de Interlagos virou o centro do universo musical brasileiro nos dias 20, 21 e 22 de março. Com ingressos esgotados, 71 artistas no line-up – sendo 17 estreantes no Brasil – e um público que chegou de todos os cantos do país, o Lollapalooza 2026 entregou uma edição memorável. E o clima ajudou: desta vez, o festival escapou do famigerado apelido “Lamapalooza” de edições passadas e presenteou o público com um final de semana quente e ensolarado (até demais, diga-se de passagem).
Dia 1: Sabrina, Doechii, Kygo e a estreia que deixou todo mundo querendo mais
O primeiro dia foi daqueles que ficam na memória. Sabrina Carpenter entregou um espetáculo completo no Palco Budweiser: produção cinematográfica, trocas de figurino, bailarinos e uma estética de programa de auditório americano que deixou o público completamente imerso. O encerramento com “Espresso”, fogos de artifício e 100 mil vozes cantando junto foi o tipo de cena que não sai da cabeça tão cedo.
Antes dela, Doechii tomou o mesmo palco e deixou todo mundo de queixo caído. Atitude, coreografias intensas e batidas poderosas num show que misturou rap e teatralidade do jeito mais cool possível. Quem foi sem conhecer saiu fã. Encerrando a noite, o norueguês Kygo entregou pirotecnia, hits e aquela energia de celebração coletiva que só festival grande proporciona.
Mas além da música, um tema dominou as conversas na saída: a mobilidade. Relatos de esperas de até duas horas para acessar o trem e corridas de aplicativo chegando a R$150 mostraram que o êxodo simultâneo após os shows principais gerou um gargalo difícil de engolir. A organização escalou apresentações no Palco Perry’s para tentar dispersar o fluxo, mas a sensação para quem estava na fila era de que a logística ainda precisava de ajustes.
Dia 2: Chappell Roan, polêmica, Lewis Capaldi e Skrillex no limite
O sábado não deu tempo de respirar. A programação foi intensa e o público respondeu na mesma medida. Lewis Capaldi entregou um dos momentos mais emocionantes do festival. Fazendo sua primeira visita à América do Sul, o escocês reuniu fãs fiéis no Palco Budweiser numa apresentação íntima e poderosa, com banda completa. O setlist incluiu “Someone You Loved”, “Forget Me” e “Before You Go”, transformando tudo aquilo numa catarse coletiva ao ar livre. Se tinha gente chorando? Tinha, e muito.
A headliner da noite foi Chappell Roan, em sua estreia absoluta no Brasil. Identidade visual poderosa, posta em cena monumental e um repertório que deixou o público em êxtase. No encerramento, ela agradeceu pela oportunidade de vir ao Brasil pela primeira vez e revelou que aquela apresentação era o fechamento de sua turnê atual, tornando o momento ainda mais especial. Mas a passagem da artista pelo país também gerou barulho fora dos palcos…
O jogador Jorginho, do Flamengo, relatou que sua esposa e a enteada de 11 anos foram abordadas de forma agressiva por um segurança no hotel onde a cantora estava hospedada. Chappell se pronunciou, negou ter dado qualquer ordem e responsabilizou o segurança, que segundo ela não fazia parte de sua equipe pessoal. A internet, claro, pegou fogo.
De volta ao Palco Samsung Galaxy, Skrillex encerrou a noite com muita força. O produtor, detentor de nove Grammys, voltou ao Brasil com um set de alta intensidade, labaredas de fogo, cortinas de fumaça e até batidas de funk que transformaram o Autódromo numa pista de dança gigante. Foi difícil não se render aos mosh pits!
Dia 3: DJO rouba a cena, Katseye e Addison dividem gerações e Lorde e Tyler encerram com tudo
O domingo foi o mais diverso dos três dias e talvez o mais especial. Durante a tarde, o gramado foi tomado por bandas que surpreenderam e encantaram. Balu Brigada conquistou o público com uma apresentação cheia de energia e alto astral. Royel Otis também deixou sua marca com aquele indie pop australiano charmoso e irresistível.
Mas o grande destaque da tarde foi DJO – sim, o Joe Keery, nosso Steve de ‘Stranger Things’. O artista atraiu grande público ao misturar rock psicodélico e carisma, impulsionado pelo sucesso de “End of Beginning”. A multidão que foi curiosa ficou fã. Quem foi cético saiu convertido.
Mais tarde, o festival dividiu o público de um jeito curioso e muito bonito. De um lado, Katseye reuniu crianças, adolescentes e pais numa festa lúdica, colorida e divertida. Do outro, Addison Rae chegou com sua proposta pop dançante. A cantora que surgiu no TikTok e foi indicada ao Grammy deste ano mostrou que funciona melhor nos fones do que ao vivo, apostando mais na dança do que no canto. Ainda assim, conseguiu momentos genuínos: incluiu uma batida funk no hit “Fame Is a Gun” e desceu do palco para interagir com os fãs.
Já de noite, os palcos principais foram tomados por dois dos shows mais comentados da edição. Lorde entregou uma apresentação esquisita e autêntica, sem abrir mão de seu universo pop alternativo. Ela foi exatamente ela mesma, sem concessões. E Tyler, The Creator encerrou o Lolla 2026 com a autoridade de quem sabe o que faz. Após anos de ausência no Brasil, voltou com uma apresentação intensa e segura, dominando o palco e apostando em efeitos visuais para amarrar faixas recentes como “Don’t Tap the Glass” e “Chromakopia”.
Além dos shows: brindes disputados e registros culturais
O festival também foi uma experiência fora dos palcos. Os estandes de marcas viraram ponto de peregrinação: a fita cassete da Budweiser, a mini câmera fotográfica da Flying Fish e os batons e glosses da Kiko Milano foram os brindes mais disputados dos três dias. Fila tinha, mas a galera encarou.
O Lollapalooza Brasil 2026 foi uma edição que acertou onde mais importava: na curadoria. E o público também deu o seu recado: o símbolo visual da edição foi o leque. O acessório tomou conta do gramado nos três dias, arrancou reações dos artistas no palco e se consolidou como um emblema dos fãs dentro do festival. Os shows inesquecíveis, a polêmica fora dos palcos e os leques no ar são parte do que faz o Lolla ser o Lolla. Já deixou saudade! Nos vemos em 2027!
