A atriz sul-coreana Park Gyu-young, estrela de Sweet Home, Celebrity, Squid Game 2 e Mantis, fala em entrevista exclusiva ao No Backstage, sobre sua evolução artística, desafios físicos e o que aprendeu com a emoção e a intensidade de seus personagens.
De Busan para o mundo
Quando Park Gyu-young surgiu em It’s Okay to Not Be Okay (2020), o público viu nascer uma atriz com uma presença doce, mas magnética. De lá para cá, ela conquistou o mundo com papéis intensos e complexos em produções como Sweet Home, Celebrity, Squid Game 2 e, mais recentemente, Mantis – série que consolidou de vez sua imagem como uma das intérpretes mais versáteis da Coreia do Sul.
Em conversa exclusiva, Park reflete sobre o privilégio de poder explorar tantas facetas na carreira e sobre como cada personagem revela um novo lado de si. Para ela, atuar é uma forma de viver várias vidas, e, em cada uma, descobrir algo novo.
O início e a descoberta da versatilidade
O primeiro passo na indústria veio em 2016, quando Park apareceu no videoclipe Crosswalk, de Jo Kwon. Pouco depois, mergulhou em papéis menores em produções como Solomon’s Perjury e The Third Charm.
Mas foi em 2020 que o mundo finalmente percebeu seu talento: Park roubou a cena no sucesso It’s Okay to Not Be Okay e, no mesmo ano, em Sweet Home, da Netflix, série que se tornou um fenômeno internacional e a colocou no radar global.
O corpo como instrumento e o desafio da ação
Depois de Squid Game 2 e 3, ela se aventurou em uma assassina profissional em Mantis (2025), Park precisou transformar completamente o corpo e a mente. Ela passou por um treinamento intenso, perdeu peso e construiu força para dar credibilidade à personagem. Mas, segundo ela, o verdadeiro desafio estava em manter a calma e a precisão emocional mesmo quando o corpo estava exausto.
Essa experiência deu origem a um novo tipo de confiança: “Depois de Mantis, senti que tinha descoberto uma nova arma chamada ‘ação’”, conta a atriz, que promete continuar explorando esse lado físico, sem perder a delicadeza emocional que marcou seus primeiros papéis.
A sensibilidade por trás dos personagens
Com formação em Roupas e Meio Ambiente pela Yonsei University, uma das mais prestigiadas da Coreia, Park usa seu olhar analítico até na composição visual de suas personagens. Cores, tecidos e estilos se tornam extensões do estado emocional de quem ela interpreta.

A atriz também reflete sobre o sucesso global dos K-dramas. Para ela, a chave está na sinceridade das emoções: “A ansiedade, a coragem, o amor, são sentimentos universais. É isso que conecta o público do mundo inteiro.”
Próximos passos
Com vários projetos marcantes no currículo, Park revela que seu próximo passo será mostrar uma nova faceta: algo mais leve, talvez romântico. “Já vivi muitos papéis intensos. Agora quero explorar um tom diferente.”
A atriz ainda deixou uma mensagem especial aos fãs brasileiros e internacionais, agradecendo o apoio e prometendo continuar se dedicando a histórias que toquem o coração.
Confira abaixo a entrevista completa com Park Gyu-young
Você começou sua carreira em produções como It’s Okay to Not Be Okay e Sweet Home. Como enxerga a transição para papéis mais físicos e intensos, como em Squid Game e Mantis?
Gyu-Young: Como atriz, considero realmente um privilégio poder mostrar uma ampla variedade de personagens e facetas de mim mesma. Talvez por isso, ao escolher novos projetos, eu tenda a optar por aqueles que me permitam revelar um lado que o público ainda não viu. Pessoalmente, sinto que é uma verdadeira bênção poder vivenciar diferentes histórias e mundos por meio de cada personagem que interpreto.
“Mantis” exige muito controle físico e uma presença fria. Qual foi o maior desafio nesse equilíbrio?
Gyu-Young: Como eu interpretava uma assassina profissional, precisei não apenas aperfeiçoar as sequências de ação, mas também garantir que minha aparência física fosse convincente. Perdi cerca de 10 quilos de gordura corporal e foquei bastante no fortalecimento dos ombros e dos braços. Meu percentual de gordura chegou a cerca de 14%, e a preparação foi tão intensa que até minhas bochechas ficaram visivelmente mais fundas. O treinamento físico foi, claro, muito difícil, mas manter aquele mundo interior frio e controlado para a atuação emocional foi igualmente desafiador. A parte mais dura foi sustentar a intensidade emocional à medida que o corpo ficava cada vez mais exausto. Ainda assim, graças ao apoio e à consideração dos meus colegas mais experientes, consegui manter o equilíbrio e permanecer completamente imersa no set.

Você foi uma guerreira. Acredito que com todos esses trabalhos, seu corpo aprendeu novas formas de estar em cena – luta, dança, ação, vulnerabilidade. O que você aprendeu sobre si mesma através da forma como se move em seus personagens?
Gyu-Young: Depois de finalizar Mantis, senti como se tivesse descoberto, e adquirido, uma nova arma chamada ‘ação’. Durante as filmagens, houve momentos em que pensei: ‘Eu nunca mais vou conseguir fazer isso’. Mas, olhando para trás, percebi que alcancei uma sensação pessoal de conquista, uma nova habilidade e especialidade que agora posso chamar de minha. Por causa disso, hoje tenho um pouco mais de confiança de que não preciso me limitar a um único gênero. O Siwan até me disse no set, depois de me ver ultrapassar meus próprios limites: ‘Essa é uma arma poderosa, use-a novamente pelo menos uma vez’. Se a oportunidade surgir, eu adoraria encarar outro desafio como esse a qualquer momento.
Queria aproveitar, para falar sobre Celebrity, você explorou um mundo dominado pelas aparências e pela vigilância constante das redes sociais. Como foi se colocar nesse universo, sendo você mesma uma figura pública que também lida com atenção e exposição na vida real?
Gyu-Young: Através de Celebrity, eu realmente aprendi muito – direta e indiretamente, sobre a vida das ‘celebridades’. Na realidade, minha rotina é muito simples: casa, set de filmagem, academia – e só. Mesmo depois da minha estreia, não senti que meu estilo de vida tivesse mudado de forma tão dramática. Mas, quando um projeto é lançado e começo a sentir as reações do público em tempo real, esses momentos ainda são novos para mim, e me enchem de gratidão e felicidade. Observar o trabalho dos influenciadores também me ensinou muito. Hoje em dia, as pessoas criam conteúdos tão diversos em tantas plataformas diferentes, e, por meio da série, pude perceber, ainda que de forma indireta, o quanto de esforço eles colocam nisso e o quão competitivo é esse mundo.

Em Nine Puzzles, Lee Seung-joo vive uma trama de assassinatos e memórias fragmentadas. Que tipo de estudo emocional e técnico você fez para entender o olhar de alguém que observa mentes, mas guarda segredos na própria?
Gyu-Young: Mesmo que nem tudo seja explicitamente explicado, acredito que é essencial construir uma compreensão interior sólida e uma empatia genuína pelo tempo que aquela personagem viveu, pelas experiências que ela enfrentou e pela dor que carregou. Depois de passar por esse processo interno de alinhamento, as falas da personagem ganham significados que vão além do literal, e o modo como ela olha para uma pessoa ou um objeto muda de forma sutil. Acho que são essas pequenas e delicadas mudanças, acumuladas uma a uma, que realmente moldam uma personagem.
Ao interpretar alguém como Seung-joo cujas ações podem ser moralmente ambíguas, como você busca compreender as motivações internas que levam a personagem a agir de determinada forma?
Gyu-Young: Acho importante definir com clareza as motivações internas de uma personagem e a direção para a qual ela deseja seguir. De uma perspectiva externa, em terceira pessoa, pode haver situações em que seja difícil dizer se uma personagem está certa ou errada moralmente. Mas, dentro do universo da história, procuro atuar com uma compreensão clara de para onde aquela personagem está indo, e com qual intenção de coração.
Sua formação em Moda e Meio Ambiente é bastante singular para uma atriz. Você já aplicou esse conhecimento para criar nuances sutis em seus personagens?
Gyu-Young: Eu não diria que é algo extremamente detalhado, mas costumo pensar nas cores ou tecidos que uma personagem escolheria com base em sua personalidade ou estado emocional. Ela é alguém que quer se destacar ou prefere permanecer discreta? Tem um estilo de vida organizado e cuidadoso? Enxerga tudo de forma otimista? Dependendo dessas respostas, as escolhas de figurino mudam bastante. Normalmente, o diretor de figurino conduz muito bem esses detalhes, então recebo muitas orientações e trocamos ideias enquanto escolhemos as roupas certas para cada cena.
Muito legal. E, qual é o critério mais importante hoje ao escolher papéis: desafio técnico, profundidade emocional, visibilidade ou mensagem da história? Já percebemos que você ama uma ação, um triller… haha
Gyu-Young: Eu não escolhi propositalmente atuar apenas em produções desse gênero, mas acredito que interpretar personagens levadas ao limite dentro dessas histórias é uma experiência de aprendizado imensa para qualquer atriz. Então, quando essas boas oportunidades apareceram, não havia motivo para recusá-las, apenas me dediquei para dar o meu melhor em cada papel. Se surgir a chance, adoraria participar de um projeto de romance no futuro. Sinto que este é o momento certo para vivenciar emoções e ritmos de uma natureza um pouco diferente.
Bem, falando de romance… os K-dramas estão entre os mais vistos no Brasil. Por que acha que o público global se conecta tanto?
Gyu-Young: Ver o quanto o conteúdo coreano é amado em outros países é, ao mesmo tempo, surpreendente e profundamente gratificante. Acho que o encanto dos dramas coreanos está na forma como a sinceridade das emoções é transmitida, mesmo quando a língua é diferente. Sentimentos como ansiedade, coragem ou amor, que os personagens vivenciam, são universais, e essa autenticidade parece ressoar naturalmente com o público ao redor do mundo.
Além disso, cada projeto traz uma nova forma de contar histórias e um senso de direção muito particular, o que faz com que o público sinta que ‘o conteúdo coreano é diferente’. E o fato de as plataformas de streaming permitirem que pessoas de diferentes países assistam às mesmas produções ao mesmo tempo também é, sem dúvida, uma das principais razões para esse sucesso.
E o ano está quase acabando, você pode adiantar o que vem em 2026?
Gyu-Young: Ainda não há nada que eu possa revelar em detalhes, mas, como até agora interpretei muitos personagens fortes e intensos em produções de gênero, gostaria de mostrar um lado diferente de mim na próxima vez, em um projeto com um novo tom e uma atmosfera distinta. Vou me dedicar ao máximo para poder voltar com boas notícias. Espero que continuem me acompanhando com carinho.
Aproveitando, poderia deixar uma Mensagem final aos fãs brasileiros?
Sou muito grata aos fãs no Brasil e no mundo todo. Obrigada por me acompanharem e se emocionarem comigo. Prometo continuar dando o meu melhor e voltar em breve com boas notícias!
Por que ficar de olho em Park Gyu-young
- Atua com profundidade emocional e técnica impecável.
- Equilibra leveza e intensidade em papéis variados.
- Representa a nova geração global de atrizes coreanas.
- Inspira autenticidade e dedicação em cada personagem.
Conclusão
De Busan para o mundo, Park Gyu-young construiu uma carreira pautada pela curiosidade, disciplina e paixão. Entre moda, drama, ação e emoção, ela se consolida como a atriz coreana mais promissora de sua geração, uma estrela que brilha com sinceridade, força e humanidade.
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