O DJ e produtor britânico SONIKKU chega ao Brasil pela primeira vez para um show muito aguardado, que acontece amanhã (8), no Zig Festival. Conhecido por misturar o som dos clubes underground de Londres com uma estética pop vibrante e transcendental, o artista promete uma apresentação cheia de energia, emoção e faixas inéditas.
Em entrevista exclusiva ao No Backstage, SONIKKU falou sobre suas origens na cena clubber londrina, seu processo criativo — que mistura fantasia, emoção e elementos visuais — e revelou o que o público brasileiro pode esperar dessa estreia. Ele também contou detalhes sobre seu último lançamento, o duplo single Heatwave / Drowning, que reflete duas faces de uma mesma história: o encanto e a melancolia de um amor de verão.
Além disso, o DJ comentou sobre a importância da representatividade LGBTQIA+ na música eletrônica e citou artistas brasileiros com quem adoraria colaborar, como Pabllo Vittar e o duo Cyberkills.
“Estou recebendo muitas mensagens de fãs brasileiros no Instagram e quero fazer o melhor show possível pra vocês. Vai ser um set cheio de músicas minhas — conhecidas, inéditas e algumas surpresas também”, disse.
Confira a entrevista completa abaixo:
Você começou sua trajetória na cena underground de Londres, um ambiente cheio de energia e criatividade. Como esse universo moldou o seu som e quem você é como artista?
Comecei a discotecar em um clube chamado Corsica, foi o meu primeiro show, e foi lá que realmente aprendi. Fui jogado direto no meio da cena e isso influenciou totalmente meu amor pela música club underground, além de como eu a misturo com o pop. Gosto de juntar os dois mundos. Tocar nos clubes de Londres, desde 2017, foi realmente algo formativo pra mim e pro meu som.
Seu novo duplo single, Heatwave e Drowning, parece mostrar dois lados da mesma história. Heatwave é ensolarada e vibrante, enquanto Drowning é mais emocional e profunda. O que te inspirou a lançá-las juntas? Você as vê como opostas ou reflexos uma da outra?
Acho que elas não são exatamente opostas, mas sim reflexos. Ambas falam sobre a mesma coisa: estar viajando, se apaixonar por um lugar — e também por alguém. Heatwave trata da empolgação dessa experiência, enquanto Drowning mostra a percepção de que talvez não fosse algo real, e sim uma fantasia. Quando viajamos, tudo parece mágico por um tempo, mas depois voltamos pra casa — especialmente aqui no Reino Unido, onde está sempre chovendo — e bate aquele sentimento de “será que aquilo foi real?”. Então, sim, as duas faixas tratam da mesma história, mas de formas diferentes.
Você comentou que Heatwave nasceu durante uma viagem sua. Pode nos levar de volta a esse momento?
Sim! Eu estava em Atenas, e subimos uma montanha pra ver o pôr do sol. Lembro do sol ser uma bola vermelha desaparecendo atrás da montanha, e foi algo mágico. Foi ali que veio a inspiração pra música.
Sua música tem sido descrita como transcendental e energética. Como você cria esse universo — tanto sonoro quanto visual? Você imagina cores ou imagens enquanto produz?
Sim, eu sempre vejo cada projeto como uma história ou um filme. Quando faço um álbum ou um EP, tento garantir que cada faixa exista dentro do mundo daquele projeto. Posso me inspirar em um videogame, em um filme, ou em ambos, e crio esse universo mental em que as músicas vivem.
Você costuma criar a partir da imaginação ou prefere falar de experiências reais?
Acho que raramente falo sobre emoções reais. Não sou uma pessoa muito aberta com meus sentimentos, então geralmente trabalho mais com fantasia, invento situações que talvez nem existam. Acho divertido não estar limitado ao que vivi de fato, e escrever sobre algo completamente inventado.
Também adoro colaborar com amigos, mesmo quando não são artistas. Gosto de criar uma caricatura da personalidade deles e fazer uma música sobre esse personagem. É algo que me inspira muito, e eu realmente me divirto com isso, embora eu nem saiba exatamente por quê (risos).
Existe alguma música inspirada em amigos ou pessoas próximas?
Sim. No meu EP The World is Bleak but Sometimes Beautiful, eu e uma amiga criamos uma personagem chamada Bianca Bardem, que aparece na faixa Rinsed. Inventamos toda uma história: ela está fugindo da máfia, roubando o dinheiro das pessoas… O nome da música vem da expressão “rinse out your pockets”, que significa algo como “te passaram pra trás”. Não sei se vocês usam isso no Brasil (risos). Criamos todo um enredo por trás dela, e talvez um dia ela volte — quem sabe?
Você se considera um contador de histórias, já que cria esses universos e personagens?
Ah, não sei se chegaria a me chamar de contador de histórias. Eu adoraria ser, mas pra mim o foco é criar música pra pista. Se existe um elemento narrativo, ótimo, mas é só um toque a mais, não o principal. No fim das contas, o que eu quero é fazer as pessoas dançarem.
Agora, falando do Brasil, é sua primeira vez vindo se apresentar aqui. Como está se sentindo e o que espera do público brasileiro?
Quero ir sem criar muitas expectativas, acho que é o melhor jeito. Mas claro que sei que os fãs brasileiros são super apaixonados — sempre recebo mensagens de vocês no Instagram. Quero fazer o melhor show possível e não decepcionar ninguém. Estou muito animado e honrado por poder tocar aí.
Você planeja alguma surpresa especial para esse show?
Sim! Vou tocar as músicas que as pessoas mais pedem, mas também várias que ainda não lancei. Vai ser um set 100% com músicas minhas — algumas conhecidas, outras inéditas, e também umas faixas mais profundas. Tenho trabalhado nisso com muito cuidado e estou bem empolgado.
Você já colaborou com artistas de estilos diferentes. Tem alguém com quem gostaria de trabalhar, talvez algum brasileiro?
Sim! Eu adoraria fazer sessões com artistas brasileiros. Meu empresário até me mandou algumas sugestões. Pabllo Vittar seria incrível, claro. Também tem um grupo chamado Cyberkills, que vive no Brasil, e eu adoraria trabalhar com eles. Acho que também seria divertido colaborar com rappers brasileiros, embora eu ainda não conheça muitos. Estou aberto a qualquer gênero — quero explorar.
Você é um artista que leva autenticidade pra pista. Como se sente vendo mais artistas LGBTQIA+ ocupando espaço nos festivais e na música eletrônica hoje?
Acho incrível. A música eletrônica sempre foi gay e trans, desde o começo, e é ótimo ver essa cultura continuar crescendo e se afirmando. Ter festivais que celebram isso é essencial. É uma celebração enorme, e é maravilhoso fazer parte disso.
Pra encerrar, você pode deixar um recado pros fãs brasileiros?
Estou muito animado pra ver todos vocês! Obrigado por todas as mensagens e pelo apoio. Vou fazer um show incrível e mal posso esperar pra tocar pra vocês. Obrigado mesmo!
