O The Town 25 abriu em São Paulo com shows de Travis Scott, Lauryn Hill, Burna Boy, Don Toliver e nomes do trap nacional. Leia a crítica completa!
O The Town 2025 abriu suas portas com um sábado recheado de grandes nomes, diversidade musical e público vibrante. O festival mostrou evolução clara em alguns aspectos, mas também repetiu velhos erros. Se a produção conseguiu se redimir de falhas passadas, o palco principal e alguns shows – especialmente o de Travis Scott – deixaram gosto agridoce.
Produção e estrutura: evolução real
A organização merece aplausos: abriram novas áreas do Autódromo de Interlagos, o que descongestionou a circulação e deixou a experiência de andar entre palcos muito mais agradável que na edição anterior. A cenografia continua impressionante, os espaços secundários foram bem distribuídos, e o público, embora massivo, pôde respirar. Foi uma clara demonstração de maturidade. Sem contar o quanto os palcos estão lindíssimos.
Outro ponto que merece destaque: os banheiros. O The Town acertou mais uma vez em oferecer banheiros de verdade, bem distribuídos e limpos. Pode parecer detalhe, mas faz toda a diferença – especialmente para mulheres, que sofrem em muitos festivais com filas intermináveis e condições precárias. Aqui, não: foi uma experiência confortável, organizada e que valoriza o trabalho de quem cuida da manutenção ao longo do evento. Não podemos esquecer das ativações, que estão incríveis. Quem não ama um mimo, né?
No quesito transporte, outro acerto. O metrô 24 horas, com trens e metrôs saindo em sequência, garantiu tranquilidade para quem depende de transporte público. Nada de perrengue ou espera longa na volta: o público pôde sair do festival com segurança e fluidez. É o tipo de medida que deveria ser padrão em eventos desse porte.
O Skyline e seus problemas de sempre
Se o festival acertou em ampliar o espaço, manteve o erro crônico no palco Skyline. Posicionado numa subida, com algumas torres da estrutura bloqueando a visão, o palco central frustra quem não está colado na grade. O resultado: multidões mais esmagadas e uma experiência dependente de telões. Para o palco que concentra os headliners, é um problema grave e recorrente.
Os shows principais: energia, emoção e um pouco de frustração
- Filipe Ret abriu bem o Skyline, firmando o rap nacional com letras afiadas e clima de rua. Não foi apenas aquecimento: foi um cartão de visitas que mostrou a potência do gênero no Brasil.
- Burna Boy trouxe um dos momentos mais dançantes do dia. Com sua mistura de afrobeats e reggae, fez o público vibrar, num dos sets mais energizantes da noite.
- Don Toliver chegou logo depois com sua pegada mais soul e R&B, mantendo o público embalado em um clima de intensidade mais elegante, mas ainda envolvente. Mas tivemos um problema também em seu show: a galera estava tão energética, que o show foi interrompido por motivos de segurança.
- No palco The One, Lauryn Hill emocionou. Acompanhada pelos filhos YG e Zion Marley, apresentou clássicos de sua carreira com entrega sincera. Foi um momento de peso histórico no festival, que contrastou com a energia mais frenética do Skyline. Sinceramente? O melhor show da noite, em nossa opinião.
- O trap nacional também brilhou. Karol Conká, MC Cabelinho e Matuê seguraram a cena, conectando-se com a plateia jovem com hits já consagrados. Foi uma afirmação do espaço do rap e do trap no festival, mostrando que o line-up não depende apenas de nomes gringos.
- No palco Quebrada, MC Hariel elevou o nível do show ao chamar MC Marks para dividir o palco, criando um momento de pura energia e conexão com o público. Logo depois, Tasha & Tracie incendiaram a plateia, mostrando por que o Quebrada Stage se consolidou como um dos espaços mais autênticos e vibrantes desta edição do festival.
- Por fim, Travis Scott, o grande headliner, entregou intensidade para 100 mil pessoas… mas deixou a desejar também. Durante sua apresentação, ele cantou vários sucessos, mas correu pelas músicas, não concluiu faixas, e encerrou o show depois de apenas 45 minutos, saindo sem uma despedida à altura do público que esperava mais. O show foi grandioso, mas por ser o encerramento da noite, poderia ter entregado muito mais – como sabemos que ele entrega. Além disso, os já conhecidos sinalizadores surgiram no meio da plateia, supostamente causando até queimaduras em algumas pessoas. Embora isso seja frequente nos shows dele, a segurança do The Town afirmou que falhou ao não conter a prática.
Conclusão
O primeiro dia do The Town 2025 teve tudo: momentos de catarse coletiva, nostalgia e diversidade sonora. A produção acertou ao ampliar o espaço e garantir mais fluidez – um avanço em relação à edição passada. Mas os velhos problemas permanecem: o Skyline segue mal posicionado, e a segurança precisa assumir mais responsabilidade sobre práticas arriscadas, como a do sinalizadores.
Musicalmente, o saldo foi positivo: Burna Boy, Don Toliver e Lauryn Hill brilharam; o trap nacional se consolidou; e Travis Scott, mesmo com toda a expectativa, deixou a desejar para alguns.
O The Town provou que pode ser gigante, mas para ser inesquecível precisa corrigir detalhes que fazem diferença na experiência de quem realmente sustenta o festival: o público. Seguimos acompanhando os próximos dias do festival que promete ser inesquecível.
