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The Summer I Turned Pretty 3×08: Jenny Han entrega um final emocionante – Contém Spoilers

Atenção, spoilers! O episódio 8 da 3ª temporada de The Summer I Turned Pretty mostra o desmoronar do noivado de Belly e Jeremiah, as revelações de Conrad e a força emocional da carta de Susannah.

O episódio 8 da terceira temporada de The Summer I Turned Pretty marca um divisor de águas emocional para os personagens e para os fãs. Com o título “Last Kiss”, a narrativa entrega um turbilhão de despedidas, decisões e confissões que deixam claro: embora todos tenham crescido em certos aspectos, no amor, ainda são profundamente imaturos. O episódio equilibra a força do texto emocional com a trilha sonora perfeita, e mostra que, às vezes, é a música que diz o que os personagens não conseguem.

O Casamento de Belly e Jeremiah: Expectativa e Realidade

O noivado de Belly e Jeremiah desmorona lentamente, como uma construção que nunca teve base sólida. Jeremiah sempre soube – mesmo que não quisesse admitir – que Belly e Conrad compartilhavam um vínculo invisível, que não podia ser apagado com alianças ou jantares de ensaio.

Quando ele descobriu que os dois passaram o Natal juntos (antes do fatídico “Cabo”), ele terminou a relação de forma abrupta. E sim, ficou com outra pessoa logo em seguida. Para muitos fãs, isso soou como traição, como para outros, não foi uma traição já que eles tinham terminado. Mas na nossa visão, há um motivo: apesar de nada físico ter acontecido entre Belly e Conrad, ele se sentiu “traído” pelo fato de Belly não ter contado a ele. Por outro lado, para Belly, ele ter ficado realmente com outra pessoa, soou como uma traição emocional: porque além de ter passado só alguns dias do término, houve desrespeito à relação deles. Na visão dela, eles nunca terminaram, ou seja, não foi só sobre tempo – foi sobre respeito.

Outro ponto, é o desencontro dos dois, Jeremiah toma decisões sozinho durante todo o relacionamento: ele muda os planos, aceita trabalho sem consultar Belly – o que não está errado em aceitar o trabalho, mas ao menos, avisá-la, né? E ela, mesmo disposta a abrir mão de um intercâmbio para ficar com ele, não era tratada como parceira, porque ela ia ficar na faculdade com ele, mas ele aceitou o trabalho sem nem se importar. Belly era apenas espectadora da vida que ele decidia viver. Esse desequilíbrio mostra o quanto o relacionamento era baseado em carência, não em cumplicidade.

Reprodução / Prime Vídeo

Dependência emocional: o fio que prende os dois

Jeremiah, no fundo, não queria apenas Belly – queria o que Conrad tinha. Queria provar para si mesmo que podia ser escolhido por ela uma vez. Mesmo sabendo que Belly não o amaria da mesma forma, mas ele insistiu. Podemos dizer também que isso é dependência emocional: a tentativa de manter alguém ao seu lado, não por reciprocidade, mas por medo da solidão ou da rejeição.

E Belly também tem sua parcela nesse padrão. Como Taylor aponta com precisão cirúrgica, Belly parece presa a Jeremiah por necessidade, não por amor. Taylor diz a ela que essa relação é uma forma de dependência emocional: Belly quer segurança, mas está tentando forçar isso em um lugar onde o amor verdadeiro não mora. Taylor é uma das vozes mais lúcidas desse episódio. Já com Conrad, ela também o confronta sem medo para proteger a amiga da confusão que ele à colocou. Taylor enxerga o que ninguém quer ver: nenhum dos dois está pronto. Nem Jeremiah e nem Belly.

Belly: egoísmo ou confusão?

Belly, apesar de suas boas intenções, é egocêntrica. Ela joga seus problemas no colo de quem está por perto, como se o mundo girasse em torno da sua dor. Isso não é maldade – é imaturidade. Ela vive tanto no seu universo emocional que não enxerga o que acontece ao redor. E isso explica boa parte das decisões confusas que ela toma.

No entanto, há algo muito humano nisso: ela está tentando entender quem é. O problema é que, nesse processo, duas pessoas (Jeremiah e Conrad) foram puxadas para o olho do furacão. Mas quem pode culpá-la, né? Imagina duas pessoas confundindo sua mente, sua amiga dizendo para ela não casar… no fundo, ela está totalmente perdida com suas escolhas.

Conrad: entre o amor e a fuga

Conrad, o homem que sempre vai embora… Bem, o Conrad finalmente se declara para Belly, mas depois diz que estava bêbado. Por que? Para proteger Belly no dia do casamento? Ou para proteger a si mesmo da rejeição? Talvez ambos. Conrad tem o hábito de carregar tudo sozinho, mesmo quando não dá conta. E isso irrita todos ao redor.

Um detalhe precioso do episódio é a fala de Steven, irmão de Belly. Ele diz a Conrad que Jeremiah foi seu melhor amigo – não que Conrad não era também – Mas ele se sentiu deixado de lado, o que mostra que no fundo, ele também se magoou com o amigo. Essa fala mostra o quanto Conrad, ao tentar carregar o mundo nas costas, acabou se isolando de todos, inclusive de quem o amava. E isso ecoa com a fala de Jeremiah, quando diz a Belly: “Conrad é o que sempre vai embora.”

Talvez seja verdade. Mas às vezes ir embora é a única forma de não quebrar de vez. Ele foge como mecanismo de defesa, mas ta na hora de parar de fugir, né?

Prime Vídeo / Reprodução

A carta de Susannah: o amor em detalhes

Outro momento delicado do episódio é quando descobrimos que Laurel trocou as cartas deixadas por Susannah. A carta que Jeremiah recebeu era, na verdade, destinada a Conrad. E o conteúdo é devastadoramente doce: “Não tenha medo de dizer a ela todos os dias o quanto ela significa para você.
Cozinhe para ela, seja um bom ouvinte, não tente ganhar todas as discussões…
Leve flores para ela.

E é aí que a ficha cai: tudo isso Conrad já vinha fazendo. Silenciosamente. Sem precisar ser instruído. Porque ele sempre amou Belly – da forma mais madura que um garoto como ele conseguiria amar. Essa carta foi o ponto final para Jeremiah. Ele percebeu que estava tentando lutar por algo que nunca foi seu de verdade.

A trilha sonora como espelho

“With or Without You” – U2
Cena: início do episódio, tensão crescente
Essa música toca no início, simbolizando a ambiguidade do amor entre Belly e Conrad: “With or without you / I can’t live”. É exatamente o dilema: eles não conseguem ficar juntos… mas também não conseguem se separar. A canção abre o episódio com o peso emocional exato da relação deles.

“You Can’t Hurry Love” – US de Gracie & Taylor

Essa faixa surge como um lembrete sutil: o amor não pode ser apressado. E é exatamente isso que está acontecendo com Belly e Jeremiah: uma tentativa de acelerar algo que precisa de tempo, de espaço e de verdade.

“Cardigan” – Taylor Swift

Cena: aeroporto, Belly indo para Paris, reencontra Conrad
Essa é a cena mais simbólica do episódio. Essa letra é o coração da cena: o amor que parecia esquecido, mas que sempre retorna.

Conrad e Belly estão no mesmo lugar, sem se verem ainda, mas o destino (e Jenny Han) coloca os dois no mesmo portão: C83 — C de Conrad, 8 como o símbolo do infinito, 3 como a inicial de Belly.
Jenny Han não dá ponto sem nó: é um sinal de que eles são o “endgame”. Essa música é sobre amores que, mesmo com o tempo, nunca deixam de existir. Sobre conexões que sobrevivem ao orgulho, ao silêncio, à dor. E sobre pessoas que, no fim, sempre voltam uma para a outra.


O final alternativo e a fidelidade ao livro

O episódio segue fiel ao livro na maior parte: o cancelamento do casamento, a carta de Susannah, a confissão de Conrad. Mas Jenny Han inova no final, adicionando a cena do aeroporto. E que cena! Ao som de Cardigan, fica evidente que o amor entre Conrad e Belly nunca desapareceu — apenas precisou de tempo e espaço para respirar. Eles não se encontram de fato naquela cena (ainda), mas o destino os coloca lado a lado, como se o universo sussurrasse que a história deles está longe de terminar.

Tudo indica que mudanças virão nos próximos episódios. No entanto, não parece que Conrad seguirá imediatamente para Paris com Belly, como muitos devem imaginar. É mais provável que ele primeiro encaminhe as cartas, para depois decidir ir ao encontro dela – construindo, assim, um arco de amadurecimento e reconciliação antes do desfecho que já imaginamos. As cartas escritas à mão por Conrad funcionam como o fio condutor desse reencontro, o verdadeiro ponto alto da jornada dos dois. E, claro, o episódio precisava terminar desse jeito: deixando a gente perdido em mil teorias até a próxima semana.

Conclusão: ninguém está pronto – e tá tudo bem

O episódio 8 mostra que, apesar de anos de amadurecimento, os personagens ainda são jovens demais para o peso que carregam. E isso é real. Nem todo amor precisa ser resolvido agora. Nem toda relação precisa se encaixar.

Conrad, Belly e Jeremiah ainda têm muito a aprender. Mas a carta de Susannah, a conversa com Taylor, às magoas de Steven e a presença silenciosa de cardigan nos lembram: o amor verdadeiro não é perfeito – mas é paciente. E às vezes, como canta Taylor Swift…

“You drew stars around my scars / But now I’m bleeding…”
(Você desenhou estrelas ao redor das minhas cicatrizes / Mas agora estou sangrando…)

O amor cura. Mas também machuca.
E às vezes, ele precisa partir… para depois voltar. Sim, somos todas filhas de Taylor Swift

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