Elton John tem 79 anos, problemas de saúde que ele mesmo tornou públicos e já disse, mais de uma vez, que não sobe em outro palco como atração solo depois disso. Nenhum desses três fatos combina com “headliner de festival”. E foi exatamente por isso que a segunda-feira, 7 de setembro, no Palco Mundo, pesou mais do que qualquer outro show da semana: tinha uma dúvida real no ar sobre se aquilo ia funcionar. Funcionou.
Era o primeiro show dele no Brasil em nove anos e o único da temporada, o que já bastaria pra encher o gramado. Mas o que ficou depois das 2h15 de show não foi só nostalgia batendo ponto. Foi um artista tocando piano, cantando afinado e conduzindo um repertório inteiro sem pedir desconto pela idade.
O setlist dos sonhos
Elton encerrou sua Farewell Yellow Brick Road Tour em 2023, depois de 330 shows e US$ 939 milhões arrecadados, terceira maior bilheteria da história, atrás só de Taylor Swift e Coldplay. A América do Sul não entrou no roteiro. Foi essa lacuna, segundo ele mesmo, que fez topar o convite do Rock in Rio na hora.
O setlist confirmou o compromisso: Saturday Night’s Alright for Fighting abriu a noite, seguido por Bennie and the Jets, Tiny Dancer, Goodbye Yellow Brick Road, Rocket Man, Candle in the Wind, Don’t Let the Sun Go Down on Me, I’m Still Standing, Cold Heart e Your Song. Sem cortes pensados para poupar fôlego, sem trecho instrumental esticado para dar respiro. Hit atrás de hit, cantado de ponta a ponta pelo público.
A música que ele guarda só pro Brasil
O momento que mais chamou atenção durante essa passagem pelo Rock in Rio, no entanto, não veio de nenhum desses clássicos. Antes de cantar “Skyline Pigeon”, faixa de 1969 que ganhou uma popularidade muito particular no Brasil, Elton John fez questão de explicar ao público por que a música estava no repertório. “O único lugar onde essa música é popular é o Brasil”, brincou o cantor, reconhecendo a relação especial que a canção construiu com os fãs brasileiros.
A canção emplacou por aqui depois de tocar na novela Carinhoso, da Globo, em 1972, e voltou ao repertório de Elton em 1995, num show em São Paulo, depois de 15 anos parada em qualquer palco do planeta. Desde então virou praticamente obrigatória em toda passagem dele pelo país, essa foi a 19ª vez seguida, e a primeira desde 2019. Trinta anos escolhendo tocar uma música pra uma plateia específica dizem mais do que qualquer discurso de agradecimento no bis.
Elton John não poupou elogios aos fãs brasileiros
No dia seguinte, Elton John resumiu a noite em uma curta legenda no Instagram: “Brasil, a noite de ontem foi simplesmente incrível”. Nos comentários, Lola Young foi além e disse que aquele tinha sido o melhor show que já havia visto.
Pode parecer exagero de quem ainda estava sob o efeito de uma noite histórica, mas a dimensão da repercussão nas redes sociais torna difícil sustentar essa hipótese sozinha.
Depois de nove anos de espera, uma turnê de despedida que passou longe do continente e uma tradição de três décadas mantida até o fim, o Rock in Rio 2026 teve grandes nomes em seu lineup, mas nenhum parece ter devolvido ao público brasileiro tanto quanto recebeu naquela segunda-feira, 7 de setembro. Obrigada, sir!
