⚠️ | Alerta de Spoilers: No episódio 10 de The Summer I Turned Pretty, Jenny Han entrega um capítulo de recomeços, reconciliações e uma trilha sonora impecável com Taylor Swift, Harry Styles e Bleachers.
O episódio 10 de The Summer I Turned Pretty trouxe algo que muitos fãs esperavam: um respiro antes do desfecho final. Jenny Han construiu um capítulo sobre recomeços, perdão e novas chances. Foi aqui que vimos os irmãos Fisher finalmente se abrindo um com o outro, Belly aprendendo a tomar decisões sozinha e a narrativa se afastando um pouco da disputa amorosa para focar no crescimento dos personagens.
Diferente dos livros, Jenny Han presenteou o público com a cena de Conrad e Jeremiah se reconciliando. Jeremiah, em um raro gesto de maturidade, incentivou o irmão a ir atrás da Belly, entendendo que a conexão entre eles sempre foi única. Já Conrad, pela primeira vez, foi honesto com o irmão: deixou claro que Belly não era um objeto a ser disputado, mas a pessoa que ele sempre amou. Essa sinceridade marcou não só o arco dos dois irmãos, mas também o tom de cura que guiou o episódio.
Apesar de ter emocionado muitos fãs, o episódio não agradou todo mundo. Para alguns, o ritmo mais calmo e a ausência de grandes reviravoltas deixou a sensação de que algo ficou faltando. Ainda assim, é importante entender que a proposta foi justamente mostrar que antes de começar algo novo – seja um novo relacionamento ou uma nova fase da vida – é preciso fechar ciclos com maturidade. Foi um episódio sobre amadurecer, mais do que escolher um lado.
A trilha sonora como narrativa
Todo episódio, Jenny Han usa a trilha sonora como memória – e nesse episódio não apenas acompanhou as cenas, mas deu camadas emocionais a elas.
- I Can Do It With a Broken Heart — Taylor Swift: Logo no início, a faixa marcou o momento em que Belly encara sua vida em Paris. A música fala sobre seguir em frente mesmo com o coração em pedaços, e é exatamente isso que ela faz: recomeçar, criar uma vida só sua, ainda que a dor a acompanhe.
- The 1 – Taylor Swift: Na cena em que Belly escreve a carta para Conrad, a trilha sonora ganha peso emocional com “The 1”. A música fala sobre aquele amor que quase foi – alguém que poderia ter sido “o certo”, mas que, por escolhas da vida, ficou no passado. Em vez de uma lamentação amarga, a canção traz um olhar maduro e resignado sobre o fim de uma história: há saudade, sim, mas também compreensão de que seguir em frente é necessário. Ao tocar durante esse momento íntimo da Belly, “The 1” reforça a ideia de que o amor por Conrad foi real, mas talvez pertença a outra versão da vida que ela não vai viver. Por isso precisava desse recomeço, para eles viverem algo novo.
- Sign of the Times – Harry Styles: Encerrando o episódio, “Sign of the Times”, de Harry Styles, embala dois momentos-chave: Conrad decidindo ir para Paris e Belly cortando o cabelo – um gesto simbólico de recomeço. A música, segundo o próprio artista, fala sobre o fim de algo importante e o começo do desconhecido. Ela carrega um tom melancólico, mas também esperançoso, refletindo a dor que acompanha as grandes transições da vida. Frases como “Just stop your crying, it’s a sign of the times” funcionam como um consolo diante do inevitável. Nesse contexto, a canção traduz perfeitamente o estado emocional dos personagens: separados fisicamente, mas ambos em processo de amadurecimento, prontos para seguir em frente e, talvez, se reencontrarem em uma nova versão de si mesmos.
- Isimo – Bleachers & Jack Antonoff: Na cena de Benito e Belly, a música trouxe leveza e intimidade. Sua sonoridade mais íntima traduz um instante de conexão inesperada, um respiro dentro da trama intensa.
As cartas e o Junior Mint: mudanças certeiras
As cartas entre Conrad e Belly ganharam mais elaboração que no livro. Jenny Han entendeu que os fãs precisavam ver e sentir esse intercâmbio, e não apenas ouvi-lo narrado. Um detalhe tocante foi Conrad guardando a primeira carta da Belly na carteira, exatamente como no livro – fiel à lembrança de que a carta era o talismã de sorte de Conrad.
Outra mudança significativa foi em relação ao ursinho Junior Mint. No livro, Conrad o menciona em sua carta, dizendo que o viu enquanto ajudava Laurel com o computador. Já na série, a adaptação dá mais peso emocional ao objeto: Conrad encontra o ursinho no quarto de Belly na casa de Counsins durante o Natal e decide enviá-lo para ela no Ano Novo. O gesto, simples à primeira vista, se transforma em um símbolo visual poderoso – uma lembrança silenciosa do quanto ele ainda pensa nela. Ao transformar algo apenas citado em uma cena concreta, a série reforça o valor afetivo do brinquedo e o quanto Belly continua presente na vida de Conrad, mesmo à distância.
As referências visuais e simbólicas
Jenny Han brinca com detalhes que só fãs atentos percebem.
- A nova casa da Belly, de frente para um local presente em Sabrina – o musical favorito dela e de Laurel, simboliza um recomeço inspirado em memórias compartilhadas.
- No cinema Club, os pôsteres trazem significados sutis: o homem no cavalo representando a solidão, e Le Cœur (O coração), dialogando com a própria jornada da Belly — guiada sempre pelo coração, mesmo em meio às dores.

O ponto fraco: a fala de Jeremiah
Apesar da evolução emocional de Jeremiah ao longo do episódio, sua fala: “pelo menos minha mãe está morta de verdade”, soou especialmente dura e fora de tom. Ao comparar a perda de Belly com a perda de sua mãe, ele transforma o luto em uma espécie de disputa, como se a perda mais concreta fosse mais legítima. A cena, que tinha tudo para marcar um momento de amadurecimento e empatia, acaba ganhando um tom amargo e insensível. Em vez de reforçar sua jornada emocional, essa fala enfraquece seu arco naquele instante, expondo uma falta de tato. Mas logo depois, vemos que ele, aos poucos, vai encontrando seu próprio caminho e aprende a perdoar para poder seguir em frente.
O significado desse episódio
Este episódio 10 se firma como um marco de recomeços: vemos Belly amadurecendo, ajustando-se à vida em Paris, tomando suas próprias decisões, mas ainda profundamente conectada aos irmãos Fisher. Laurel, por sua vez, aparece mais empática e libertadora, oferecendo apoio silencioso à jornada da filha. Ademais, o encontro entre Conrad e Jeremiah representa a cura de uma ferida antiga, com maturidade e autenticidade emocional.

Um aspecto destacado por muitos é como a adaptação amplia a complexidade dos personagens ao se libertar de certas amarras do livro, dando mais espaço para que Belly seja vista como uma protagonista em processo de transformação, muito além da simples escolha entre dois amores. No entanto, nem todas as reações foram positivas. A introdução de Benito e o momento em que Belly se distancia de Conrad geraram críticas de alguns fãs, que sentiram que esse desvio tirou o foco da trama principal justamente quando uma reconciliação parecia iminente. É importante lembrar, porém, que Jenny Han permanece fiel à obra original, e esse envolvimento de Belly com Benito serve para explorar novas possibilidades amorosas fora da dinâmica Fisher. Além disso, é uma chance valiosa de aprofundar Belly como personagem, expandindo sua história para além do tradicional triângulo amoroso.
O que fica claro é que este episódio encontra seu poder no equilíbrio entre emoção, música e simbologia, Jenny Han não apenas adapta sua própria história, mas a reinventa.
O que esperar do próximo episódio?
O próximo episódio será o último da temporada e promete finalmente focar no tão esperado romance entre Conrad e Belly, desta vez em Paris, o cenário perfeito para o desfecho da história deles. Nos livros, esse momento do casamento acontece um pouco mais tarde, quando Belly tem cerca de 23 ou 24 anos, mas a série parece acelerar esse marco, indicando que Conrad deve fazer o pedido de casamento nesse capítulo final.
Embora a expectativa seja alta para ver essa reconciliação amadurecida e o romance florescendo, vale destacar que teremos apenas um episódio para acompanhar esse momento tão importante para os fãs. Dado que o livro não detalha esse desenvolvimento com tanta profundidade, seria interessante que Jenny Han tivesse aproveitado os dois episódios finais para explorar melhor a dinâmica do casal após a reconciliação, dando mais tempo para que o amor deles ganhasse corpo na tela. Ainda assim, entendemos que a criadora escolheu seguir a essência da obra original, respeitando o ritmo e o tom que construíram ao longo da história.
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