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Crítica de Corrida Contra o Tempo: Gal Gadot segura thriller eletrizante do Prime Video

Estrelado por Gal Gadot, Corrida Contra o Tempo transforma Londres em uma verdadeira pista de obstáculos e entrega um thriller de ação que aposta na urgência, embora a repetição da fórmula possa cansar ao longo da jornada

Filmes de perseguição têm uma regra bastante simples: quanto menos tempo o protagonista tiver para resolver um problema, maior deveria ser a tensão para quem está assistindo. Corrida Contra o Tempo, novo thriller de ação do Prime Video estrelado por Gal Gadot, leva essa ideia ao pé da letra, talvez até demais.

Dirigido por Kevin Macdonald, o longa acompanha Maia Marten, uma advogada que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando recebe uma ligação informando que seu filho foi sequestrado. Do outro lado da linha, um desconhecido dá instruções que ela precisa seguir para garantir a segurança do garoto.

A partir daí, existe apenas uma coisa que Maia pode fazer: correr. E correr. E correr um pouco mais. Se o título parece explicar exatamente o que vamos encontrar, ele realmente explica. E isso está longe de ser necessariamente um problema.

Um filme que sabe exatamente qual é a sua proposta

Corrida Contra o Tempo não tenta reinventar o thriller de ação. Ele sabe que está trabalhando com uma fórmula conhecida e decide apostar todas as suas fichas nela.

A protagonista tem pouco tempo, um objetivo extremamente claro e uma ameaça que parece estar sempre um passo à frente. O espectador recebe as informações praticamente junto com Maia e acompanha suas decisões conforme elas acontecem.

É uma estrutura que funciona especialmente bem para quem gosta de filmes que não ficam enrolando para chegar ao ponto.

Logo no início, o longa estabelece seu conflito e coloca Gal Gadot em movimento. Não existe uma longa introdução para explicar cada detalhe da vida da personagem antes de o problema começar. A história quer chegar rapidamente àquilo que interessa: uma mãe tentando chegar ao filho enquanto alguém controla cada passo de sua jornada.

E, nesse sentido, o roteiro é eficiente. A dificuldade está em sustentar essa mesma ideia durante todo o filme.

Quando a repetição vira parte da experiência

Aqui está provavelmente a principal fragilidade de Corrida Contra o Tempo; e também uma das características mais curiosas da produção. O filme é repetitivo. Não há como fugir disso.

A estrutura frequentemente retorna para uma dinâmica semelhante: Maia recebe uma instrução, precisa chegar a algum lugar, encontra um obstáculo, resolve a situação e recebe uma nova ordem.

Em determinado momento, o espectador pode começar a sentir que está assistindo à mesma situação com pequenas variações.

E, sim, isso pode cansar. Mas existe uma diferença importante entre dizer que a repetição prejudica a experiência e dizer que ela não faz sentido dentro da proposta. Ela faz sentido.

Maia está literalmente em uma corrida contra o tempo. O filme quer que o público sinta que ela não consegue parar. Não há espaço para descansar, refletir ou montar um plano perfeito. Cada minuto perdido representa uma nova ameaça.

O problema é que aquilo que funciona muito bem durante os primeiros minutos perde um pouco do impacto quando passa a ser repetido muitas vezes.

É quase como uma música que começa com uma batida irresistível, mas mantém exatamente o mesmo ritmo durante tempo demais. A proposta é boa. A dosagem poderia ser melhor.

Gal Gadot está no território em que funciona melhor

É impossível falar de Corrida Contra o Tempo sem falar de Gal Gadot. A atriz já construiu uma relação bastante forte com o cinema de ação e, mais uma vez, demonstra que possui presença física para carregar esse tipo de produção.

Maia é uma personagem constantemente em movimento. Ela corre, enfrenta obstáculos, tenta escapar de situações perigosas e precisa tomar decisões rapidamente.

E Gadot transmite essa urgência de maneira convincente. Mas existe uma escolha de atuação que pode causar estranhamento; Maia é extremamente contida emocionalmente.

Em alguns momentos, pode parecer que estamos diante de uma mãe fria demais para a situação que está vivendo. Só que o roteiro também precisa ser levado em consideração.

A personagem praticamente não tem tempo para processar emocionalmente o que está acontecendo. Ela precisa continuar andando, correndo e tomando decisões. Se parasse para elaborar cada sentimento, provavelmente não conseguiria cumprir as instruções que recebe.

Isso cria uma personagem mais fechada, quase mecânica em determinadas cenas. E talvez seja justamente aí que o filme poderia ter encontrado um equilíbrio melhor.

Prime Vídeo | Divulgação

Seria interessante enxergar um pouco mais da mulher por trás da missão, e não apenas da mãe desesperada tentando cumprir uma tarefa após outra.

Ainda assim, Gadot funciona muito bem nas cenas físicas, justamente porque sua presença combina com esse tipo de protagonista determinada, resistente e constantemente colocada à prova. Ela não precisa transformar Maia em uma heroína invencível. Basta mostrar que ela não pode parar.

Londres deixa de ser cenário e vira obstáculo

Um dos melhores elementos do longa é a utilização de Londres. A cidade não está ali apenas para deixar o filme bonito. Ela participa da narrativa.

Ruas movimentadas, trânsito, transporte público, multidões, pontes e diferentes regiões da capital britânica são utilizados para criar obstáculos e aumentar a sensação de urgência.

Maia precisa atravessar uma cidade inteira enquanto tenta cumprir instruções que parecem ficar cada vez mais complicadas. Isso dá ao filme uma vantagem visual importante.

Em vez de transformar tudo em uma sucessão de ambientes fechados, Corrida Contra o Tempo utiliza a própria cidade como uma espécie de labirinto urbano.

E existe algo particularmente interessante nessa escolha: quanto maior a cidade, menor parece ser a possibilidade de Maia simplesmente desaparecer. Ela está cercada por pessoas, mas, ao mesmo tempo, completamente sozinha.

A câmera acompanha a ansiedade da protagonista

A direção de Kevin Macdonald também tenta colocar o público dentro dessa sensação de movimento constante. A câmera acompanha Gadot de perto, muitas vezes privilegiando a percepção da protagonista em vez de oferecer uma visão ampla e confortável da situação.

A montagem rápida reforça a urgência. O objetivo é claro, não deixar o espectador relaxar. Em alguns momentos, funciona muito bem.

Em outros, o excesso de cortes e movimentos pode produzir justamente o efeito contrário. Quando tudo é acelerado o tempo inteiro, o público pode acabar se acostumando com aquela intensidade. E esse é um dos paradoxos do filme.

Corrida Contra o Tempo quer que a gente fique cansado junto com Maia.

Só que existe uma diferença entre transmitir o cansaço da personagem e fazer o espectador ficar cansado do próprio filme. O longa chega perto dessa linha em alguns momentos.

O suspense funciona melhor quando não entrega todas as respostas. A presença do misterioso homem que controla Maia pelo telefone ajuda a criar uma camada interessante para a narrativa. Ele está praticamente sempre presente, mas nunca está realmente ali.

A voz do outro lado da ligação funciona como uma ameaça permanente. Maia não sabe exatamente quem está observando seus passos, até onde essa pessoa consegue chegar ou qual é o verdadeiro objetivo por trás de tudo aquilo.

Esse mecanismo mantém uma pergunta constante na cabeça do espectador: quem está realmente controlando essa situação?

O filme sabe brincar com essa dúvida e evita entregar todas as respostas imediatamente. É justamente aí que o suspense funciona melhor.

Quando o longa tenta explicar demais, ele perde um pouco do mistério. Quando simplesmente deixa Maia, e o público, sem saber o que está acontecendo, a tensão aumenta.

O roteiro poderia aprofundar mais sua protagonista

Se há algo que faz falta, é uma exploração maior de Maia como pessoa. Sabemos o suficiente para compreender sua motivação e torcer por ela, mas não necessariamente o bastante para conhecer profundamente aquela mulher.

Isso pesa especialmente porque a história depende muito da nossa conexão emocional com ela. Afinal, estamos acompanhando uma mãe tentando salvar o próprio filho.

Quanto mais conhecêssemos Maia antes da corrida começar, maior seria o impacto de vê-la sendo destruída pela situação.

O filme escolhe outro caminho. Ele prefere a velocidade. É uma escolha válida, mas tem um preço. O filme é mais interessado na missão de Maia do que em sua personalidade.

Por isso, em determinados momentos, a protagonista parece funcionar mais como uma peça dentro da engrenagem do suspense do que como uma personagem completamente desenvolvida.

E é justamente quando chegamos ao final que o filme mostra que não estava interessado apenas em acompanhar uma mulher correndo por Londres. Sem entregar spoilers, o terceiro ato introduz informações que fazem o espectador reconsiderar algumas das coisas que viu anteriormente.

É uma escolha importante porque impede que o longa termine simplesmente com a resolução mais óbvia possível. O problema é que a virada pode gerar interpretações diferentes.

Há quem enxergue o desfecho como uma boa maneira de fechar o quebra-cabeça. Outros podem sentir que algumas respostas ficaram abertas demais ou que determinadas informações poderiam ter sido apresentadas de maneira mais clara.

Eu fico mais próximo do primeiro grupo. Não acho que o filme tenha criado a maior reviravolta da história do gênero, mas gosto da tentativa de fazer com que o espectador repense alguns acontecimentos depois que os créditos começam a se aproximar.

E isso é algo que um bom thriller precisa fazer. Se o final faz você voltar mentalmente para algumas cenas e pensar “espera, então aquilo significava outra coisa?”, ele cumpriu pelo menos parte da missão.

Um filme que funciona melhor se você aceitar suas regras

Talvez essa seja a melhor maneira de definir Corrida Contra o Tempo. É preciso aceitar as regras do jogo.

Se você entrar esperando um thriller extremamente realista, cheio de explicações e preocupado em justificar cada decisão da protagonista, provavelmente vai se incomodar.

Agora, se a ideia for assistir a um filme de ação rápido, com suspense, perseguição e uma protagonista tentando desesperadamente chegar ao destino antes que seja tarde demais, a experiência é bem mais divertida.

E isso também explica por que o filme pode provocar opiniões tão diferentes. Alguns espectadores vão enxergar a repetição como um defeito imperdoável.

Outros vão entender que a repetição é justamente o mecanismo que mantém a personagem presa à corrida. A verdade está provavelmente no meio.

O recurso funciona, mas poderia ter sido utilizado com um pouco mais de criatividade para evitar a sensação de déjà-vu em determinados momentos.

Veredito

Corrida Contra o Tempo não é um thriller perfeito, e definitivamente não precisa ser.

O longa tem problemas claros de roteiro, principalmente no desenvolvimento da protagonista e na repetição de sua estrutura. Em alguns momentos, a história parece avançar porque precisa colocar Maia em mais uma corrida, e não porque a narrativa encontrou naturalmente aquele caminho.

Mas reduzir o filme apenas a essas falhas também seria injusto. Há uma protagonista que funciona muito bem fisicamente, uma Gal Gadot perfeitamente encaixada no gênero de ação, uma Londres muito bem aproveitada como cenário e uma estrutura que consegue manter o espectador interessado até descobrir onde aquela corrida vai terminar.

Ele talvez seja mais cansativo do que deveria ser, mas esse cansaço também nasce da própria proposta: Maia não pode parar, e o filme também não quer deixar você parar.

No fim, é uma produção que funciona melhor quando assistida pelo que realmente pretende ser: um thriller de ação direto, frenético e descomplicado, que coloca Gal Gadot para correr literalmente contra o relógio e ainda guarda uma pequena carta na manga para os minutos finais.

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