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Como Perder Sua Popularidade resgata a fórmula das comédias adolescentes dos anos 2000

Existe um tipo de filme adolescente que parece ter desaparecido um pouco nos últimos anos. São aquelas comédias escolares despretensiosas, cheias de personagens estereotipados, romances previsíveis, disputas de popularidade e situações que dificilmente seriam levadas tão a sério fora daquele universo. Lançado em janeiro pelo TUPI, “Como Perder Sua Popularidade”, chegou ao catálogo da Netflix essa semana e é estrelado por Sara Waisglass e Chase Hudson, onde parece ter sido feito justamente para resgatar esse espírito.

O filme acompanha Ellie, uma das alunas mais inteligentes e dedicadas da escola, que se vê em uma situação bastante familiar para quem já assistiu a algumas dezenas de comédias adolescentes: depois de terminar o relacionamento, ela acaba envolvida em uma espécie de jogo de popularidade que a aproxima de Nate, o garoto popular, rebelde e pouco interessado na imagem de aluno exemplar.

Os dois começam a se ajudar por motivos bastante específicos. A ideia, inicialmente, não é exatamente encontrar o amor, mas resolver os próprios problemas. Só que, como manda a cartilha das comédias românticas adolescentes, a convivência começa a mudar a relação entre eles.

Um filme que parece ter saído dos anos 2000

Com certeza, para mim, que sou da geração millennium, assistir a “Como Perder Sua Popularidade” é ter aquela sensação de já ter visto algumas das situações antes. A escola dividida entre os populares e os alunos mais deslocados, o garoto que todo mundo considera menos inteligente do que realmente é, a menina aplicada que não se encaixa no padrão de popularidade e o relacionamento que nasce justamente entre duas pessoas que, em teoria, não deveriam funcionar juntas.

Tudo isso poderia facilmente estar em uma comédia adolescente lançada há 20 anos. A diferença é que o filme não parece preocupado em fugir desses clichês. Pelo contrário, ele se apoia neles para construir uma experiência leve e confortável. Não existe aqui uma tentativa desesperada de transformar uma história simples em algo muito maior do que ela realmente é. E isso funciona.

O roteiro sabe que sua proposta é entregar uma comédia romântica escolar para quem quer assistir a alguma coisa divertida, acompanhar um romance e passar pouco mais de uma hora e meia sem precisar decifrar grandes reviravoltas.

Essa simplicidade, inclusive, é uma das melhores características do longa. Bateu até aquela saudade, sabe? 

Uma comédia dos anos 2000 com pautas de 2026

Apesar de ter uma estrutura extremamente familiar às comédias adolescentes dos anos 2000, o filme incorpora algumas discussões mais presentes nas produções atuais. A diferença de investimento e visibilidade entre os times esportivos masculino e feminino, por exemplo, aparece dentro da narrativa e coloca em discussão a desigualdade de oportunidades entre meninos e meninas.

A representatividade também está presente, ainda que de maneira pontual. O filme não transforma essas questões no centro do roteiro e tampouco se aprofunda nelas a ponto de construir uma discussão complexa. Elas estão ali como parte daquele ambiente escolar e ajudam a atualizar uma fórmula que, em outras mãos, poderia facilmente parecer presa ao passado.

O longa mantém os clichês que fazem parte do gênero enquanto tenta mostrar que o ambiente escolar mudou, e que determinadas discussões já não podem ser ignoradas como talvez fossem em filmes de duas décadas atrás.

Chase Hudson funciona no papel do garoto popular

Chase Hudson, conhecido também pelo nome artístico Lil Huddy, assume justamente o tipo de personagem que combina com a imagem pública que o público já conhece: o garoto popular, cheio de confiança e com uma certa rebeldia.

Isso ajuda o filme porque Nate não exige uma transformação radical do ator para funcionar. A personalidade do personagem conversa diretamente com o arquétipo que ele interpreta.

Sara Waisglass, por outro lado, fica responsável por uma personagem mais tradicional dentro desse tipo de história. Ellie começa como a garota inteligente que não parece se importar tanto com popularidade, mas que aos poucos percebe que talvez tenha mais em comum com aquele universo do que imaginava.

É uma dupla construída para funcionar dentro de uma fórmula conhecida, e o filme não exige deles muito além

Vale a pena assistir a Como Perder Sua Popularidade?

A resposta é: SIM!  Ele recupera uma fórmula que o cinema adolescente conhece muito bem e a transporta para um contexto atual, acrescentando discussões sobre representatividade e igualdade de oportunidades sem transformar a história em um manifesto.

O resultado é uma produção leve, previsível e bastante confortável de assistir. Para quem cresceu acompanhando as comédias adolescentes dos anos 2000, existe ainda uma camada extra de nostalgia. A escola, os grupos sociais, os clichês românticos e a própria estrutura da narrativa lembram uma época em que esse tipo de filme ocupava um espaço muito maior no entretenimento.

Só que “Como Perder Sua Popularidade” não é exatamente uma viagem ao passado. É mais uma tentativa de recuperar aquela sensação com algumas atualizações para o presente.

E talvez seja justamente por isso que o filme funciona tão bem dentro da sua proposta: ele sabe que não precisa ser grandioso.

Às vezes, uma comédia adolescente só precisa ser divertida, ter um romance para torcer e deixar aquela sensação de que você acabou de assistir a um filme que poderia facilmente ter sido alugado em uma locadora em 2006. 

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