Chris Lake lançou seu primeiro álbum completo Chemistry, mostrando evolução musical, liberdade criativa e performances históricas, incluindo Coachella 25. Confira a entrevista completa logo a seguir
Após mais de duas décadas de carreira construindo hits para clubes e festivais, Chris Lake finalmente dá um passo que os fãs aguardavam: o lançamento de seu primeiro álbum completo, Chemistry, em 11 de julho, pelo seu selo próprio Black Book Records. Com 15 faixas que misturam sua assinatura sonora com colaborações de peso – Bonobo, Amber Mark, Vera Blue e Alexis Roberts, o disco representa um marco de maturidade artística e experimentação para o produtor britânico.
Além dos clubes
Diferente do que o público está acostumado, Chris Lake deixa de lado o formato clássico de singles voltados apenas para pistas de dança. Em Chemistry, ele explora narrativas mais amplas e dinâmicas, criando um fluxo musical que conecta suas raízes britânicas a uma visão moderna da música eletrônica.
Em entrevista ao No Backstage, Chris explica: “Antes, eu estava mais focado em singles para clubes, mas comecei a sentir falta de contar histórias e de ter mais dinâmica no meu trabalho. Essa mudança de mentalidade foi o que me fez sentir que agora era a hora de fazer um álbum.”
A produção contou com nomes como Bonobo, Kelly Lee Owens e MPH, garantindo que, mesmo ao revisitar influências do passado, o álbum tenha sempre um olhar para o futuro.
Coachella e turnê imersiva
2025 também marcou momentos inéditos na carreira de Chris Lake no palco. Durante o Coachella, ele se apresentou no exclusivo “Day Zero”, uma sessão para campistas antes da abertura oficial do festival, consolidando sua reputação de artista inovador e criativo.
Para levar Chemistry aos fãs de forma completa, Chris anunciou a Chemistry Album Tour, uma turnê de 13 datas pelos Estados Unidos, incluindo locais icônicos como Echostage (Washington, DC), Bill Graham Civic Auditorium (San Francisco) e Roadrunner (Boston). Com produção personalizada e edições exclusivas, a turnê promete uma experiência musical totalmente imersiva.
Vale destacar que Chris Lake reforçou seu compromisso com causas ambientais: US$ 1 de cada ingresso da turnê será destinado à Oceanic Global, organização dedicada a reconectar a humanidade aos oceanos e restaurar o equilíbrio do planeta. Uma iniciativa que une música, entretenimento e responsabilidade social.

Inclusão e Diversidade na Música Eletrônica
O álbum se destaca também pela presença marcante de vozes femininas, como Vera Blue, Alexis Roberts, Amber Mark e Yael Watchman. Essa diversidade quebra paradigmas em um cenário dominado por homens, tornando a música eletrônica mais inclusiva e emocionante.
“Incluir uma diversidade de vozes é importante para a música eletrônica porque faz a cena parecer mais viva e inclusiva. É algo que quero continuar incentivando”, comenta Chris.
O álbum também evidencia o cuidado do produtor com detalhes técnicos: a faixa “Falling”, por exemplo, passou por mais de 10 versões até atingir o resultado final. Para Chris, a linha entre perfeição e criatividade é tênue: “Uma faixa está pronta quando deixa de me incomodar. Mas também é possível trabalhar demais e perder a chama, então você precisa ouvir sua intuição e saber quando deixar ir.”
Confira a entrevista completa abaixo:
Chris, “Chemistry” é o seu primeiro álbum completo depois de mais de duas décadas de carreira. O que mudou artisticamente em você que tornou possível – ou necessário – lançar um álbum inteiro só agora?
Chris: Minha abordagem à música amadureceu muito nos últimos anos. Antes, eu estava mais focado em singles para clubes, mas comecei a sentir falta de contar histórias e de ter mais dinâmica no meu trabalho. Essa mudança de mentalidade foi o que me fez sentir que agora era a hora de fazer um álbum.
Muito bom esse pensamento. E ao explorar suas raízes britânicas em Chemistry, houve algum momento em que você sentiu que estava indo “longe demais” no passado? Como você encontrou e ajustou esse equilíbrio criativo ao longo da produção?
Chris: Houve momentos em que eu trazia referências da cena do Reino Unido e me perguntava se elas iriam se conectar com um público global. Mas equilibrei isso garantindo que cada ideia fosse filtrada por quem eu sou hoje, não por quem eu era há 20 anos. Isso deu ao álbum uma sensação de olhar para frente, mesmo ao se inspirar nas minhas raízes. Trabalhar com pessoas como Bonobo, Kelly Lee Owens, MPH e outros ajudou a manter tudo ancorado no presente.
Ao lançar este álbum de forma independente, você abriu mão do conforto e do alcance das grandes gravadoras. Que tipo de liberdade criativa esse risco permitiu, e o que isso lhe ensinou sobre o modelo atual da indústria musical?
Chris: Ir pelo caminho independente significou que eu poderia tomar todas as decisões sem ficar pensando se agradariam a uma gravadora. Isso me permitiu levar o tempo que fosse necessário, financiar tudo sozinho e montar uma equipe que realmente se importasse com a música. Aprendi que, se você acredita no que está fazendo, não precisa se comprometer para caber no plano de outra pessoa.
Você mencionou não seguir tendências e querer deixar uma marca. Em um mundo dominado por algoritmos, como é possível construir uma identidade musical duradoura sem ceder às pressões do “jogo do streaming”?
Chris: Acho que você precisa desligar os algoritmos durante o processo criativo. Se você pensa no que vai ter mais streams, perde sua voz. Você pode considerar essas coisas depois, mas no estúdio é preciso ser honesto. Só assim você cria algo que realmente se destaca no meio do barulho. E, com o tempo, essa honestidade é o que conecta as pessoas à sua música. Esse é o seu legado, não apenas seus números de streams.
Inclusive, percebemos que a maioria das faixas tem uma forte presença de vozes femininas. Essa escolha foi mais estética, conceitual ou estratégica? Pra você, qual o significado de abrir espaço para diferentes vozes em uma cena tão dominada por homens?
Chris: Não foi uma estratégia, aconteceu naturalmente através das colaborações. Vozes como Vera Blue, Alexis Roberts, Aatig, Yael Watchman, Amber Mark trouxeram camadas emocionais que eu não conseguiria de outra forma. Incluir uma diversidade de vozes é importante para a música eletrônica porque faz a cena parecer mais viva e inclusiva. É algo que quero continuar incentivando.
Entendi! E, você mencionou que “Falling” passou por mais de 10 versões. Bastante, né? Haha Em que momento você sabe que uma faixa está realmente “terminada”? Existe um limite entre a busca pela perfeição e o fluxo natural da criatividade?
Chris: Com certeza existe uma linha tênue. Para mim, uma faixa está pronta quando ela deixa de me incomodar. Em “Falling”, eu ficava voltando a pequenos detalhes até sentir que a emoção estava exatamente no lugar certo. Mas também é possível trabalhar demais em algo e perder a chama, então você precisa aprender a ouvir sua intuição e saber quando deixar ir.
Como podemos ver, Chemistry não é apenas um álbum; é um marco que mostra a evolução artística de Chris Lake, sua habilidade de inovar ao vivo e sua visão de futuro para a música eletrônica. Entre turnês imersivas, colaborações estratégicas e compromissos sociais, Chris Lake prova que inovação e autenticidade podem coexistir, redefinindo padrões no cenário global.
