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Leia a crítica de O Convite, o filme que Harry Styles foi assistir no cinema da Augusta

Tem um barulho vindo do apartamento de cima que Joe e Angela ouvem quase toda noite. Não é reforma, não é móvel arrastado, é sexo, alto e frequente, dos vizinhos que moram logo acima. Numa dessas noites em que o casamento dos dois já não tem muito fôlego, Angela decide convidar os dois pra jantar. Não porque quer resolver o barulho. Porque quer alguma coisa que o barulho representa.

Esse é o ponto de partida de O Convite, terceiro longa de Olivia Wilde como diretora. A pergunta que sustenta o filme inteiro não é “o que vai acontecer nesse jantar“, é até onde essas quatro pessoas vão deixar a noite ir. Não vou responder isso aqui. Esta é uma crítica sem spoiler, e o próprio título carrega mais de um sentido que merece chegar intacto até você.

O roteiro é de Rashida Jones e Will McCormack, baseado no espanhol Sentimental, de Cesc Gay, e dá pra sentir a origem teatral. O filme inteiro se passa quase todo dentro de um apartamento, com quatro atores, uma mesa de jantar e diálogos que vão ficando cada vez mais desconfortáveis de propósito. Wilde filmou em 21 dias, em película, em ordem cronológica, quase como se estivesse montando uma peça. Isso aparece na tela: o filme confia no timing dos atores mais do que em qualquer truque de câmera.

E o elenco entrega. Seth Rogen faz Joe, um músico fracassado que virou professor de conservatório e carrega isso como quem carrega uma mágoa, sarcástico o tempo todo porque é mais fácil rir do próprio fracasso do que sentar com ele. É, sem exagero, a atuação mais completa que já vi dele: timing cômico de sobra, mas também um fundo triste que ele raramente teve espaço pra mostrar. Penélope Cruz é Piña, a vizinha terapeuta sexual, e rouba praticamente toda cena em que aparece, confiança e ironia na medida certa, sem nunca virar caricatura. Edward Norton, como o marido dela, escreveu o próprio monólogo do filme, e dá pra sentir: é a cena em que ele mais parece estar se divertindo.

Edward Norton e Penélope Cruz em O Convite (Foto: Divulgação O2 Play)

O que segura tudo de pé é um roteiro que trata a plateia como gente grande: ninguém aqui vai entregar lição de moral sobre casamento no final. As comparações mais óbvias, Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, Woody Allen dos bons, um pouco de Cassavetes, fazem sentido, mas O Convite tem ritmo mais rápido, mais nervoso, mais 2026. É uma farsa adulta que passa boa parte do tempo fazendo rir e o resto do tempo fazendo sentir mal por estar rindo daquilo.

Vale colocar isso em contexto: Wilde vinha de Não se Preocupe, Querida, um filme que afundou mais nos escândalos de bastidores do que decolou nas telas. O Convite é o oposto disso em praticamente todo sentido, modesto no orçamento (cerca de US$ 5 milhões), gigante na execução. Estreou em Sundance com ovação de pé, gerou uma disputa de bastidores entre A24 e Focus Features que a A24 venceu pagando mais de US$ 12 milhões pelos direitos, e chegou aos cinemas americanos com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, número raro pra qualquer filme, ainda mais pra uma comédia adulta com classificação restrita.

Trilha sonora de Devonté Hynes reforça humor e tensão

A narrativa de O Convite é conduzida pela trilha sonora original de Devonté Hynes, também conhecido pelo projeto Blood Orange, um dos produtores e compositores mais influentes da música contemporânea. Ao longo da carreira, Hynes colaborou com artistas como Solange, Mariah Carey, FKA Twigs, Carly Rae Jepsen e A$AP Rocky, consolidando um repertório marcado pela versatilidade. Após se apresentar no Lollapalooza Brasil 2026, o músico empresta ao filme uma trilha que equilibra tensão e humor, acompanhando os rumos inesperados da história.

O Convite supera 100 mil espectadores

Com uma recepção calorosa do público e da crítica, O Convite reafirma a força das comédias adultas nas salas de cinema e demonstra que histórias capazes de equilibrar humor, emoção e identificação continuam atraindo espectadores. O sucesso de bilheteria reforça o interesse do público por experiências coletivas no cinema e consolida o longa como um dos destaques da temporada. O convite está disponível nos cinemas brasileiros. Confira o trailer abaixo:

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