O Ultra Buenos Aires consolidou de vez seu espaço no calendário da música eletrônica da América do Sul. Com dois dias intensos no Parque de la Ciudad, o festival reuniu alguns dos principais nomes do EDM, techno e tech house mundial, e já deixou o público com data marcada para o próximo encontro: 2 e 3 de abril.
A edição mostrou maturidade de curadoria, estrutura grandiosa e uma divisão clara entre o espetáculo do Main Stage e a profundidade sonora das áreas Resistance. Resultado: um dos line-ups mais equilibrados.
sábado mistura EDM comercial e techno underground
O sábado foi marcado pelo contraste entre o apelo mainstream e a força da cena techno.
No Main Stage, Zedd encerrou a noite com um set carregado de hits e construções explosivas, reforçando sua identidade pop dentro do EDM. Antes dele, Steve Angello apostou em emoção e narrativa progressiva, enquanto KSHMR investiu em drops épicos e animou todo mundo que estava presente.
O tech house teve representação sólida com Dom Dolla, que entregou groove direto e pista cheia do início ao fim, um dos sets mais funcionais da noite.
Já na estrutura Resistance, o clima mudou completamente. Jamie Jones conduziu um set refinado e progressivo, priorizando fluxo e construção. Joseph Capriati trouxe densidade e controle técnico absoluto, enquanto Patrick Mason adicionou intensidade performática à cabine.
No lado mais industrial, Klangkuenstler acelerou BPMs e elevou a agressividade sonora. O live set do duo 999999999 foi um dos momentos mais viscerais do festival, com acid techno cru e hipnótico.
Domingo do Ultra Buenos Aires: headliners e domínio do techno melódico
Se o sábado foi plural, o domingo teve peso de headliner e atmosfera mais densa.
No palco principal, Alesso assumiu o encerramento com um set nostálgico e energético, equilibrando hits e novos edits. Above & Beyond protagonizou um dos momentos mais emocionais do evento, reforçando a força do trance melódico em grandes festivais.
Já Deadmau5 apresentou uma performance mais conceitual, com construção progressiva e menos previsível, exigindo atenção da pista e elevando o nível técnico da noite.
Na Resistance, o domingo foi praticamente um manifesto techno. Charlotte de Witte entregou minimalismo pesado e condução hipnótica. Richie Hawtin reafirmou sua posição como referência histórica do gênero, com set técnico e cerebral. Enrico Sangiuliano trouxe dramaticidade sonora, enquanto CamelPhat, Massano e Kevin de Vries exploraram o techno melódico que domina as pistas globais.
Estrutura, público e impacto no mercado latino
Além do line-up forte, o Ultra Buenos Aires trouxe uma estrutura boa para o público. Palcos imponentes, LED de alta definição, lasers e um público cada vez mais diverso consolidam o festival como um dos maiores eventos de música eletrônica da América Latina.
A estratégia de equilibrar EDM comercial, tech house e techno de vanguarda reforça o posicionamento do evento dentro da marca global Ultra Music Festival, ampliando o alcance para diferentes perfis de público.
Próxima edição do Ultra Buenos Aires já tem data confirmada
Para quem já saiu contando os dias, a organização confirmou oficialmente a próxima edição do Ultra Buenos Aires para os dias 2 e 3 de abril. A expectativa é de que o festival mantenha a expansão de público e traga novos headliners internacionais.
Se esta edição foi de consolidação, a próxima promete ser de crescimento. Afinal, o Ultra não termina, ele evolui.
