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The Town 2025 (12/09): Backstreet Boys dominam nostalgia, mas noite expõe contrastes de energia no festival

No terceiro dia do The Town 2025, Backstreet Boys fizeram um show nostálgico e emocionante para 75 mil pessoas. Jason Derulo, Luísa Sonza, Jota Quest e CeeLo Green completaram a noite, em jornada que revelou acertos e limitações do festival.

Na última sexta-feira (12), rolou a continuação do The Town no Autódromo de Interlagos, e o retorno dos Backstreet Boys foi, sem dúvida, o grande momento da noite. Com cenografia do palco, efeitos pirotécnicos e coreografias, a boyband provou que ainda sabe mobilizar multidões. Os vocais estavam afinados e a entrega de clássicos como “I Want It That Way”, “We’ve Got It Goin’ On”, “Shape of My Heart” e “Everybody” transformou o Skyline em um imenso coral.

O ponto forte é a conexão emocional com o público. Foram 75 mil vozes cantando cada verso, num espetáculo coletivo raro. O carisma de Nick, Howie, AJ, Brian e Kevin permanece intacto. Já o ponto fraco é que o show é altamente dependente da nostalgia. Quando o setlist se abre para faixas recentes, como as do álbum DNA, a intensidade cai perceptivelmente, até do público ali. As coreografias, embora presentes, já não têm a explosão de duas décadas atrás – um reflexo natural da idade, mas que limita o impacto visual.

The Town / Divulgação

Mas, tá tudo bem né? Celebrar os 25 anos de Millennium coroou uma apresentação que ficará na memória como um dos marcos do festival.

Jason Derulo: Entregou hits, mas público morno

Jason Derulo foi responsável por preparar o terreno para os backstreet boys, e cumpriu bem seu papel. O cantor entregou coreografias afiadas, hits globais e ainda incluiu elementos de funk carioca para dialogar com o público local.

O ponto forte é o show dançante, com ritmo constante. Mas o ponto fraco é que faltou frescor no repertório. Embora eficiente, a apresentação reforçou a ideia de que Derulo vive um hiato criativo – muito calcado em sucessos do passado, com poucos momentos realmente surpreendentes. Sem contar o playback usado em show e o público estava muito morno, até mesmo nos hits. Talvez seja contraste do público que veio para ver os headliners.

CeeLo Green: groove versátil, mas irregular

O show de CeeLo Green trouxe diversidade ao line-up, misturando soul, funk, groove e até samba. A voz potente e o carisma do artista criaram uma atmosfera diferente, em contraste com a plasticidade pop de outros nomes. O show tem mais ousadia sonora e referências brasileiras, que agradaram a plateia e mostraram versatilidade.

The Town / Divulgação

Jota Quest: previsível, mas eficaz

Abrindo o Skyline, o Jota Quest fez exatamente o que se espera de uma banda consolidada no pop rock brasileiro: sucessos como Dias Melhores e Do Seu Lado cantados em coro, energia simpática e homenagem a Tim Maia.

O único ponto fraco, é que falta ousadia. O show cumpre, mas não surpreende – soa mais como repetição segura do que uma reinvenção artística. Mas, amamos Jota Quest, né?

Luísa Sonza: o futuro do pop nacional no palco

No The One, a estrela da noite foi Luísa Sonza, que entregou um espetáculo pensado especialmente para o festival. Figurinos, cenografia e repertório mostraram ambição artística. Covers como Amor e Sexo ampliaram a narrativa do show, enquanto seus próprios hits confirmaram a força do pop nacional.

Ponto forte: produção detalhada, performance vocal segura e presença de palco que dialoga com artistas internacionais.

Ponto fraco: apesar da potência, o show às vezes parece excessivamente calculado – priorizando estética e impacto visual em detrimento de espontaneidade. Ainda assim, foi um dos grandes momentos da noite.

Outros destaques e contrastes

  • Snarky Puppy na São Paulo Square trouxe sofisticação instrumental, encantando com improviso e virtuosismo.
  • No Quebrada, Kayblack e Duquesa mostraram a força do trap e do rap nacional, com autenticidade e participação especial de Tasha & Tracie.
  • O Factory deu espaço à representatividade, com destaque para os Brô MC’s e Kaê Guajajara. Além, de TZ da Coronel.
  • Dubdogz, na The Tower Experience, encerrou o dia com o maior after do festival, misturando música eletrônica, performances visuais e tecnologia.

O saldo do dia: memórias e lacunas

O terceiro dia do The Town 2025 foi plural e memorável, mas não imune a críticas.

  • Pontos fortes: a catarse coletiva dos Backstreet Boys, o vigor de Luísa Sonza, a diversidade sonora de CeeLo Green e o respiro jazzístico do Snarky Puppy.
  • Ponto fraco: A localização do palco principal segue sendo um problema desde a primeira edição. Por estar em uma área de subida, a visibilidade é bastante comprometida, de qualquer lugar que não seja próximo à grade, a experiência visual se torna limitada. Esse é, sem dúvida, o aspecto que mais exige atenção e melhoria para as próximas edições.

O festival segue cumprindo seu papel de plataforma plural que une diferentes gerações, estilos e experiências. Mas também reforça um desafio: equilibrar memória afetiva com ousadia criativa.

No fim, foi uma noite em que o público saiu carregado de lembranças – algumas arrebatadoras, outras menos inspiradas – mas que consolidam o The Town como experiência cultural de impacto global.

Confira também:

The Town 25: Guia Completo para viver a experiência da Cidade da Música

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