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O Episódio Final de Maxton Hall Entrega o Clímax Mais Forte da Série e Prepara um Terremoto para a S3

Episódio 6 da 2ª temporada de Maxton Hall é um dos pontos alto da série: fotografia boa, clímax dramático e uma escolha consciente em criminalizar o caso professor-aluna.

Chegamos ao fim, e, sim, o último episódio de Maxton Hall entrega o capítulo mais intenso de toda a série até agora. A fotografia finalmente encontra precisão, um ritmo melhor e as escolhas narrativas elevam conflitos típicos do universo adolescente a questões institucionais de peso. A decisão de mostrar o professor sendo preso, em vez de sugerir ou suavizar a situação , evidencia o compromisso da série em responsabilizar, e não romantizar, uma relação desigual.

Dramaticamente, o acerto é grande; emocionalmente, cobra seu preço ao se afastar de pontos cruciais do livro. Não à toa, críticos e recaps já destacam o impacto do episódio e o cliffhanger perfeitamente calculado que pavimenta o caminho para a terceira temporada.

Luz, fotografia e maturidade técnica

No começo da temporada a luz jogava contra os atores: janelas estouradas, saturação que “apagava” faces e planos que queriam ser estéticos mas escondiam expressões. Ao decorrer dos episódios, principalmente, neste, a equipe de fotografia corrigiu o problema: a iluminação volta a revelar, não a ofuscar, e a direção de arte usa janelas e reflexos para sublinhar tensão (não para provocar brilho gratuito). Essa mudança técnica é parte essencial do acerto dramático: quando a câmera finalmente enxerga, as cenas ganham profundidade e a atuação respira.

Por que a prisão do professor foi a escolha narrativa correta, e o que muda em termos éticos

A série faz uma escolha deliberada: transformar o escândalo em um problema de poder e ética, não em um “romance complicado”. No texto televisivo, o professor (Sutton) é um adulto em posição de autoridade; a aluna (Lydia) é menor e a relação tem assimetria estrutural mesmo quando, narrativamente, ambos parecem ter consentido e mesmo quando se conheceram fora da escola. Reforçar isso e mostrar consequências legais muda o tom da história:

  • Ética e consentimento: professores não ocupam um lugar neutro em relação a alunos, há responsabilidade profissional, influência e risco de coerção emocional.
  • Poder e maturidade: mesmo que o aluno goste de alguém mais velho e a atração seja recíproca, a desigualdade de posição (idade, vínculo institucional) torna a relação problemática.
  • Cidadania e representação: ao mostrar o adulto sendo preso, a série posiciona-se claramente contra a romantização de relacionamentos assim e assume uma postura de responsabilidade social.

No livro, esse enquadramento legal aparece de forma menos direta; a adaptação optou por visibilidade e consequência pública, uma escolha corajosa (e necessária) no debate atual sobre abuso de poder e proteção de menores. Essa decisão ajuda a desmontar romantizações tóxicas que, em outras adaptações, já foram naturalizadas. 

O que foi perdido ao suprimir diálogos e cenas, e por que isso importa

A adaptação enxugou muito material que, no livro, funciona como motor psicológico de personagens secundários. Dois cortes exemplares deste episódio 6:

  • Cyril: no livro ele se expõe: “eu… eu acho que estou apaixonado por ela” – e essa frase abre toda uma geografia emocional: ciúme, abandono e fratura na amizade. Sem isso, Cyril vira reativo, não sujeito.
  • Mãe da Ruby: o confronto materno que questiona a filha (“Ruby… você tem certeza? Eu preciso saber se você mentiu pra mim”) cria a ferida que justifica medo, vergonha e força em Ruby. Tirar essa cena é remover um motor moral da trama.

Esses excisos não são meras “economias de tempo”: são pontos de tensão interna que explicam comportamentos e que, quando ausentes, deixam personagens sem motivações críveis. A série ganha contundência nas cenas externas (prisão, leitura do testamento, perda da bolsa) e perde camadas íntimas que tornam a tragédia humana, e não só circunstancial.

Saúde mental como fio condutor, o acerto humano da temporada

No geral, um dos melhores acertos da temporada foi abordar o tema da saúde mental: perdas, culpa, luto e como a exposição pública agrava traumas. Atos de cuidado (terapia, conversas interrompidas, reações familiares) aparecem com mais frequência e gravidade do que em adaptações que preferem melodrama leve. O próprio elenco comentou sobre o peso emocional das filmagens desta segunda temporada, o que reforça que a série não trata o sofrimento como adereço, trata como matéria dramática de verdade. 

Ritmo e economia narrativa: o benefício e o custo de seis episódios

Seis episódios transformam o romance em flash: algumas escolhas narrativas funcionam, o episódio final prova isso, porque concentram impacto; outras simplesmente apagam os arcos de apoio. Aqui o balanço é claro:

  • Benefício: episódios curtos forçam cortes que mantêm momentum; o final ganha densidade e urgência.
  • Custo: personagens secundários ficam achatados; diálogos que explicam motivações desaparecem; a sensação de “porque ele fez isso” ou “por que ela agiu assim” às vezes falta.

No entanto, mesmo dentro dessa economia, este episódio encontra o tempo certo para quase tudo, e por isso, apesar de tudo, é o melhor da temporada, além dos dois primeiros.

Prime Vídeo | Divulgação

O gancho do testamento e o que se espera da S3

A cena de Percy com a chave no túmulo de Cordélia é um aceno narrativo: planta o mistério do testamento falsificado para a próxima temporada. A série segurou a revelação agora, escolha acertada, porque primeiro que só mostra na terceira temporada mesmo, e transforma o cliffhanger em promessa de investigação e justiça, em vez de apenas despejar informação.

Conclusão

Este episódio é, no conjunto, um vício bom: entrega aquilo que a série prometeu quando quis ser mais do que “mais um romance”, trata assuntos sérios com seriedade, cuida da saúde mental dos personagens e corrige erros técnicos fundamentais. Ao mesmo tempo, paga um preço caro em profundidade psicológica ao suprimir diálogos e confrontos que, no livro, definem caráter.

Minha leitura final: é o melhor episódio da série até agora, e por isso merece ser celebrado. No fim, Maxton Hall escolhe crescer: dramatiza com coragem, expande seus temas e cria um contraste potente entre famílias, responsabilidades e consequências. É um encerramento que prepara, com inteligência e peso emocional, o terreno para uma terceira temporada que promete ser ainda mais turbulenta.

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