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Lavern quer mudar o futuro das pistas: “Quero trazer mais melodias e emoção para a dance music”

Em entrevista exclusiva, Lavern fala sobre sua maior turnê, collabs com Gryffin, novos rumos musicais e sua missão de devolver emoção às pistas. Confira a conversa completa. 

Lavern – pseudônimo de Laurens Elshof – surgiu como um nome promissor da cena eletrônica ao lançar Move Me (2021), que viralizou com mais de 50 milhões de streams e virou trilha sonora de centenas de milhares de Reels no Instagram. Em seguida, consolidou seu som com Hold Me, acumulando outros milhões de streams e conquistando presença constante em playlists eletrônicas. Esses primeiros sucessos o alçaram à condição de fenômeno digital que rapidamente virou presença sólida nas pistas.

Seu som, marcado por melodias eufóricas e forte apelo emocional, já o colocou lado a lado com ícones como Martin Garrix e Steve Angello — e em parceria direta com nomes como Gryffin e o duo AR/CO, com quem acaba de lançar a vibrante Higher Power, disponível pela 10K Projects. A estética do som dele é conhecida como stutter house: Arranjos que transacionam suavemente entre clima sunset e dancefloor pulsante.

Mas o que mais chama atenção não é o currículo, e sim o discurso. Ao longo de nossa conversa, ficou claro que Lavern está menos preocupado em seguir tendências e mais empenhado em construir algo atemporal, trazendo de volta para o centro da dance music o que ele chama de “melodia e emoção”. Além dos lançamentos, Lavern acaba de anunciar sua maior turnê até hoje, prometendo experiências 360° em diversas cidades, line-ups com participações especiais e um setlist que transita entre hits e novidades.

Confira a entrevista completa abaixo:

Você anunciou ontem sua maior turnê até agora. O que os fãs podem esperar? Algum detalhe que possa revelar?

Lavern: Trabalhei sem parar nos últimos meses para fazer isso acontecer. Teremos atos insanos comigo no palco, uma experiência 360° em várias cidades e tudo nos meus locais favoritos, além de participações especiais de artistas como Alex Lemirage, Cyril e VISIONV. Vai ser inesquecível.

Você esteve no último fim de semana no show do Martin Garrix em Londres, ao lado de Steve Angello. Como veio esse convite e como é sua relação com o Martin?

Lavern: Na verdade, a primeira vez que abri um show dele foi ano passado, em Ibiza, e foi super legal. Também foi a minha primeira apresentação por lá, o que tornou tudo ainda mais especial. Sou um grande fã dele e escuto as músicas desde os meus 13 anos, então ter a chance de abrir shows dele é um verdadeiro privilégio. Sempre admirei seu trabalho, e repetir essa experiência em Londres foi incrível.

Com certeza! Imagino que a essa altura, você já esteja acostumado com isso, mas ainda sente aquele frio na barriga ao se apresentar para um grande público?

Lavern: Bem, não muito. Às vezes bate um pouco, especialmente quando começo a tocar para 20 ou 30 mil pessoas – é aquele momento de “uau, o que está acontecendo agora?”. Mas, no fim, é sempre muito divertido.

Sim, eu definitivamente posso imaginar, é incrível. Agora vamos falar sobre seu último lançamento. “Higher Power” carrega muito daquela estética emocional que já se tornou a sua marca registrada, mesclando o brilho melódico de Gryffin e os vocais de AR/CO. Como foi o processo para encontrar um equilíbrio entre essas três identidades musicais, garantindo que cada uma mantivesse sua essência?

Lavern: Sim, como você mencionou, minha música sempre tem esse lado muito melódico e emocional. Com o Gryffin, na verdade, é bem parecido. Então, nossa ideia foi unir essas identidades sonoras – e conseguimos. Criamos essa faixa juntos em Las Vegas, passamos um tempo no estúdio e construímos cada detalhe. É uma música bem legal que carrega minha essência e a dele: melódica, emocional e cheia das influências de ambos. Acho que ficou muito especial.

De que forma as colaborações com outros artistas influenciam o seu processo criativo?

Lavern: Na verdade, essa é uma das minhas primeiras grandes colaborações, já que a maioria dos meus lançamentos são solo. No começo, fiz alguns projetos de apoio para o Gryffin nos EUA, e acabamos nos tornando amigos. Depois, começamos a trabalhar juntos em Las Vegas, como mencionei, e foi uma experiência muito divertida. Acabamos construindo uma amizade verdadeira nesse processo.

Isso é muito legal! No início deste ano, você também lançou “Into the Light”, que parece representar uma mudança mais atmosférica no seu estilo. Você vê essa faixa como um ponto de virada artístico? Ela marca o surgimento de uma nova versão do Lavern – ou tem um significado diferente para você?

Lavern: Na verdade, comecei a fazer cada vez mais shows, especialmente durante o inverno, e passei a tocar mais em clubes. Por isso, quis produzir algo mais atmosférico e profundo – uma faixa que tivesse essa vibe mais densa. Foi assim que surgiu essa música, que traz vocais únicos e muito legais, com uma base sonora profunda. Acho que ficou bem interessante, mesmo que seja um pouco diferente do restante do meu catálogo. Mas, com certeza, é algo muito bacana.

Podemos esperar mais músicas como essa?

Lavern: Com certeza! Estou trabalhando em um EP que será lançado ainda este ano, com músicas mais profundas. Tenho certeza de que vai ficar muito bom.

Legal, legal. Também tem “Sunshine”, outra faixa sua que, como você mencionou, ressoa muito com o público por sua energia positiva. Com mais de 750 milhões de streams acumulados, o que é incrível, então quero saber: como você equilibra o que deseja expressar pessoalmente com aquilo que sabe que vai realmente conquistar os ouvintes?

Lavern: Sabe, sempre fui um grande fã da era Avicii e da música eletrônica mais melódica, e ainda quero trazer esse estilo melódico e eufórico porque eu realmente adoro. Quero transmitir mais emoção e criar efeitos eufóricos que proporcionem uma experiência especial durante o show. Meu objetivo é que as pessoas saiam dizendo que foi um set único, diferente. Por isso, sempre busco inovar, mantendo essa combinação de euforia e emoção.

Você é da Holanda, que é lar de tantas lendas da música eletrônica e, pessoalmente, um dos meus lugares favoritos no mundo. Mas você está construindo seu próprio caminho como artista global. Quais elementos do som holandês você acha que incorporou na sua música, e quais decidiu deixar de lado?

Lavern: Na verdade, comecei a fazer música aos 13 anos e, nessa época, comecei a ouvir artistas como Martin Garrix, Tiësto e Afrojack. Foi assim que tudo começou: comecei a produzir no FL Studio e a criar minhas próprias músicas. Acho que essa fase ainda influencia bastante o meu trabalho até hoje.

Sabemos que a nostalgia pelo “som clássico” da música eletrônica costuma atrair os fãs, mas também pode limitar a liberdade criativa do artista. Como você lida com essa expectativa enquanto se desafia a evoluir musicalmente e evitar a repetição?

Lavern: Para ser sincero, eu sempre sigo meu próprio caminho. Se gosto de algo, eu coloco na minha música, e torço para que os fãs abraçem também. Até hoje, nunca senti que eles não gostaram – na maioria das vezes, a reação aos lançamentos é muito positiva, e eles sempre escutam e aprovam o que faço!

Sim, faz total sentido. Acredito que quando algo é verdadeiro e vem do coração, as pessoas conseguem se conectar e sentir isso, não é?

Lavern: Total! Mas é fundamental continuar explorando, experimentar coisas novas e ampliar os limites. Com certeza.

O que você acha que vem depois do emotional house? Você está surfando uma onda – ou ajudando a criar o próximo capítulo da dance music?

Lavern: Sim, estou tentando trazer mais música emocional e momentos eufóricos para as pistas de dança. Acho isso muito bacana, especialmente porque hoje em dia a cena também é dominada por muitos elementos techno. Por isso, quero colocar mais melodias na pista – e é exatamente isso que estou fazendo. É uma experiência especial. 

Você tocou recentemente no Sziget Festival, onde conheceu Nelly Furtado – e ouvi dizer que pode até haver uma música em andamento juntos.

Lavern: Sim, estamos trabalhando em uma música juntos e queremos fazer mais. Eu nunca tinha conhecido ela pessoalmente antes, então o Sziget foi a primeira vez, e está sendo muito legal colaborar com ela.

E como momentos como esse, em que você conhece artistas de diferentes gerações, influenciam a sua visão artística?

Lavern: Eu ouvia muitas das músicas dela em 2008 e realmente adoro o estilo dela. Acho que a música dela é atemporal e ainda sou fã até hoje. É muito legal poder conhecer artistas de diferentes gerações e épocas.

Mal posso esperar para ouvir essa música, acho que vai ficar muito boa. Estou super animada! Você agora está em território de primeira linha, com shows no EDC Vegas, Veld e uma residência em Las Vegas no TAO Beach – tornando-se o residente mais jovem de todos os tempos. Como você consegue se manter fiel a si mesmo em um circuito que muitas vezes pressiona os artistas a seguirem uma fórmula?

Lavern: Eu simplesmente faço a minha própria coisa e aquilo que amo: produzir música, fazer turnês e fazer as pessoas felizes quando estou no palco. É assim que sempre trabalho. Para mim, é muito divertido e, ao mesmo tempo, a realização de um sonho – então, é realmente incrível.


Sei que você tem uma presença forte nas redes sociais. Como é a sua relação com os fãs online? Você costuma ler o que eles postam ou assistir aos vídeos dos seus shows?

Lavern: Sempre! Eu acompanho tudo que eles estão postando e faço questão de curtir tudo que vejo, o que é muito divertido. Também tento ver todas as fotos que tiram comigo nos shows – é uma experiência muito legal.

E falando em redes sociais, claro que hoje em dia existe uma certa pressão para que os artistas criem músicas que possam viralizar, especialmente com o TikTok e as tendências que surgem por lá. Você sente essa pressão para fazer músicas que possam estourar nas plataformas?

Lavern: Não, para ser sincero, não sinto essa pressão. Nunca fiz música pensando em viralizar – faço aquilo que amo e compartilho online. Se as pessoas gostam, ótimo; se não, tudo bem também. Algumas músicas acabam se conectando com o Instagram, mas nunca as criei pensando especificamente em plataformas como o TikTok.

E para finalizar, você mencionou que está trabalhando em um novo EP. O que podemos esperar desse projeto? Pode contar um pouco mais sobre as próximas músicas e se tem alguma colaboração nova vindo por aí?

Lavern: Sim, estou trabalhando em várias músicas. Ainda não posso revelar com quais artistas vou colaborar no EP, mas posso garantir que vai ficar muito legal. Além disso, o projeto estará conectado à minha nova turnê, então vai ser algo realmente especial.

Ótimo! Já tem uma previsão de lançamento? Quando podemos esperar ouvir músicas novas?

Lavern: Acho que lá para novembro, mais pro final desse ano. Vai ser muito legal, com certeza!

Perfeito!  Nós estaremos atentos a isso. Muito obrigada!

 Lavern: Sim, muito obrigado!

Estamos super animados para ouvir suas novas músicas e esperamos vê-lo no Brasil em breve!

Lavern: Sim, espero ver vocês em breve. Muito obrigado!

Confira também: Higher Power: GRYFFIN, LAVERN e AR/CO se unem em collab explosiva de verão

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