Em entrevista ao podcast On Purpose, Emma Watson fala sobre amizade, rejeição em Hollywood e o impacto de filmar Harry Potter por 12 anos. Confira insights exclusivos e link para ouvir o episódio completo.
Emma Watson nunca teve medo de falar o que pensa. Em sua recente entrevista ao podcast On Purpose, apresentado por Jay Shetty, a atriz refletiu sobre a experiência de crescer e trabalhar em Harry Potter, as dificuldades de criar amizades genuínas em Hollywood, a pressão estética da indústria, seu afastamento da atuação, estudos, hobbies e sua relação complexa com J.K. Rowling. O episódio completo pode ser ouvido aqui.
A busca por amizades genuínas em Hollywood
Ao longo de sua carreira, Emma desenvolveu uma expectativa sobre o que significaria trabalhar em outros projetos além de Harry Potter. Ela esperava encontrar laços de amizade semelhantes aos que formou durante os 12 anos em que esteve envolvida na franquia. No entanto, a realidade foi bem diferente.
“Eu ia para aqueles sets com uma expectativa que acho que desenvolvi em Harry Potter, que era a de que nós, as pessoas com quem trabalhei, seríamos minha família e que seríamos amigos para a vida toda. Eu vim trabalhar em busca de amizades, e foi uma experiência muito dolorosa para mim. Fora de Harry Potter e em Hollywood, foi algo de partir o coração, muito doloroso,” diz Emma!
Essa fala revela a vulnerabilidade da atriz ao perceber que, fora do ambiente acolhedor de Harry Potter, as relações profissionais em Hollywood não se baseiam em amizade verdadeira, mas em objetivos individuais e competição. “A maioria das pessoas não vem para esses ambientes em busca de amizades. Elas buscam: esta é a minha chance, este é o meu papel, é isso que eu quero. Estou focado, este é o meu trabalho, esta é a minha carreira. Tipo, vamos lá. E eu não tinha essa mentalidade. Então, achei a rejeição muito dolorosa.” acrescentou.
Watson também comentou sobre a intensidade das relações que construiu ao longo dos 12 anos em que atuou na saga, destacando como esse período criou expectativas que nem sempre foram correspondidas em outros trabalhos. Ela explicou que, durante a franquia, existia um senso de comunidade genuíno entre o elenco, algo raro em produções cinematográficas. Essa experiência moldou sua visão de que outros projetos também poderiam oferecer esse tipo de conexão:
“Acho que era tão incomum fazer uma série de filmes por 12 anos e nós éramos uma comunidade. Tipo, nós realmente éramos. Então, levei isso como uma expectativa para meus outros empregos. E eu simplesmente levei uma surra. Levei mesmo. Isso, sim, me destruiu.”
Com essas palavras, a atriz revela o impacto emocional de passar de um ambiente de apoio e amizade verdadeira para espaços de trabalho mais competitivos e impessoais. Ela compartilha a vulnerabilidade de quem busca laços significativos em um contexto profissional que muitas vezes prioriza resultados sobre relações humanas, mostrando que até figuras públicas de grande sucesso enfrentam desafios emocionais profundos.
A dura realidade dos padrões de beleza
Continuando ali o bate papo, Watson abordou a desigualdade de expectativas estéticas entre homens e mulheres em Hollywood, revelando uma percepção crítica sobre os padrões da indústria. Ela comentou com franqueza a facilidade que os homens têm em se apresentar diante das câmeras sem precisar passar por um “processo de aceitação” tão rigoroso:
“Eu sinto uma inveja dos meus colegas homens que podem simplesmente colocar uma camiseta e aparecer sem todo esse processo para se tornarem aceitáveis para as câmeras. É insano. As expectativas de beleza são tão difíceis de alcançar, e a barra é elevada o tempo todo, então você está constantemente em um pesadelo de beleza, como se estivesse em um programa de sobrevivência.”
A fala evidencia o desgaste físico e emocional que acompanha a pressão por um padrão idealizado de aparência, que muitas vezes é imposto apenas às mulheres. Emma não se limita a criticar: ela também reconhece exemplos de resistência, como Pamela Anderson, cuja coragem em desafiar essas normas a inspira: “Eu realmente admiro Pamela Anderson por fazer isso, porque a quantidade de coragem que isso exige, eu não consigo nem começar a expressar.”

Mais do que uma crítica, essas palavras mostram a consciência de Emma sobre a importância de autenticidade em meio a um ambiente que constantemente exige conformidade. Ela revela admiração por quem consegue manter sua identidade, mesmo sob as pressões externas de Hollywood.
A decisão de se afastar da carreira
Após anos mergulhada em sets, roteiros e promoções, Emma Watson optou por se afastar temporariamente da atuação, em uma decisão que reflete maturidade e autoconhecimento. Ela explicou que o glamour da indústria e a rotina incessante não eram mais compatíveis com seu ritmo de vida e sua necessidade de equilíbrio:
“Eu não sinto falta de vender meus filmes. Eu realmente não sinto falta disso. Eu sinto falta da arte, da expressão criativa, mas não da parte comercial da indústria. Eu não estava mais alinhada com o ritmo da minha vida. Eu precisava desacelerar, encontrar estabilidade e me reconectar com o que realmente importa.”
Nessas palavras, Emma revela a diferença entre o sucesso profissional e a realização pessoal. O que para muitos seria uma oportunidade de continuar se expondo e acumulando fama, para ela se tornou um momento de reflexão: priorizar a autenticidade e a própria saúde emocional. Ao escolher redescobrir suas paixões, como a escrita e outras formas de expressão artística, Emma demonstra que a coragem nem sempre se traduz em aplausos, mas na habilidade de se ouvir e se colocar em primeiro lugar quando necessário.
A relação com J.K. Rowling
Watson também abordou a delicada e complexa relação com J.K. Rowling, autora de Harry Potter, especialmente à luz das controvérsias envolvendo comentários de Rowling sobre questões transgênero. A atriz conseguiu expressar sua posição de forma equilibrada, mostrando maturidade emocional e capacidade de separar experiências pessoais de divergências ideológicas:
“Eu realmente não acredito que ter tido essa experiência e ter o amor, o apoio e as opiniões que tenho significa que eu não posso valorizar Jo e a pessoa com quem tive experiências pessoais. Jamais acreditarei que uma coisa nega a outra e que não posso guardar e valorizar a minha experiência com essa pessoa. Voltando ao que dissemos antes, simplesmente não acho que essas coisas sejam uma questão de ou isto ou aquilo. Acho que meu desejo mais profundo é que as pessoas que discordam da minha opinião me amem, e espero poder continuar amando pessoas com quem não necessariamente compartilho a mesma opinião.”
Watson continuou dizendo que acreditava que um diálogo sobre o debate com Rowling não era permitido, acrescentando: “Acho que o que mais me chateia é que uma conversa nunca foi possível.”Ela ainda acrescenta que “Acho que essa é uma maneira muito, muito importante para mim, de conseguir seguir em frente na vida. Acho que realmente acredito em conversas, que elas são muito importantes e que não importa tanto o que dizemos ou no que acreditamos, mas, muitas vezes, como dizemos.”
Vida pessoal e hobbies
Além de sua carreira, Emma compartilhou aspectos de sua vida pessoal, incluindo sua recente suspensão de seis meses da carteira de habilitação no Reino Unido, após ser flagrada dirigindo acima da velocidade permitida. Ela abordou o incidente com humor e humildade, reconhecendo sua inexperiência ao volante. “Minha vergonha está em toda parte.” Ela também mencionou sua paixão pelo ciclismo como uma forma de manter o equilíbrio físico e mental.
A entrevista de Emma ao podcast On Purpose oferece uma visão íntima e honesta de sua jornada pessoal e profissional. Suas palavras revelam uma mulher que, apesar da fama e do sucesso, enfrenta os mesmos desafios humanos que todos nós: a busca por autenticidade, a luta contra padrões impostos e o desejo de conexões genuínas. Ela nos lembra que, por trás dos holofotes, há uma pessoa com sentimentos, dúvidas e sonhos, assim como qualquer outra.
Para ouvir a entrevista completa, acesse o episódio no Spotify.
