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Crítica | The Summer I Turned Pretty – Episódio 5: A Última Dança entre o Amor e o Adeus

O episódio 5 da terceira temporada de The Summer I Turned Pretty, intitulado “A Última Dança”, não é apenas um título melancólico – é uma declaração. Ele marca um ponto de virada emocional para Belly (Lola Tung) e os dois irmãos Fisher. Com sensibilidade e uma direção que aposta nos detalhes visuais e sonoros, o episódio traduz o conflito entre amadurecer e permanecer onde é confortável.

Cherry, carros e silêncios que dizem tudo

Logo nas primeiras cenas do episódio, Belly está ao volante com Conrad (Christopher Briney) ao lado — um momento simples, mas carregado de significado. Ao fundo, começa a tocar Cherry, de Harry Styles, e quando os versos “Don’t you call him baby” (Não chame ele de amor) / We’re not talking lately (Não estamos nos falando ultimamente) / Don’t you call him what you used to call me (Não chame ele como você costumava me chamar) ecoam, a mensagem é clara para quem conhece a história: tudo ali tem um peso emocional.

A escolha da música não é por acaso, Jenny Han domina como poucos a linguagem das entrelinhas. A letra funciona como um espelho dos sentimentos de Conrad: ciúme, frustração, mágoa, e o silêncio de um afastamento que ainda dói. A cena, embalada por essa trilha, se transforma em um campo de tensão emocional, onde o não dito fala mais alto. E quando a música segue com “I’m selfish, so I’m Hating it” (“Eu sou egoísta, então eu estou odiando isso”), o subtexto se conecta diretamente ao casamento iminente,  um lembrete cruel de que Conrad está prestes a perder quem ama, mais uma vez.

Conrad e o direito de ser imperfeito

Uma das maiores evoluções do episódio é Conrad. Ele, que por tanto tempo se escondeu atrás da responsabilidade de ser o “filho forte”, finalmente começa a permitir que Belly o veja vulnerável – e não um herói. Essa mudança, sutil, mas transformadora, é um reflexo claro, quando ele finalmente admite suas imperfeições, como perder o emprego e dizer que errou. Pela primeira vez, ele não tenta ser o cara que faz tudo certo – ele tenta ser apenas ele mesmo. A Belly ainda diz: “Você sabe que ninguém é perfeito, certo? Nem mesmo você.” […] “Você não precisa ser o herói o tempo todo”

Esse trecho é um dos mais simbólicos também, porque inverte a lógica comum da história: desta vez, é Belly quem aconselha o Conrad. É um momento em que Belly demonstra não só maturidade, mas empatia naquele momento. 

Belly: o que a série não mostra, o livro revela

Na tão falada “peach scene”, onde Conrad limpa o suco do rosto de Belly, a série mostra o momento sob a perspectiva dele. Na versão original dos livros, é Belly quem narra: “Conrad estendeu a mão, e enxugou meu queixo com a mão, eu me senti zonza, as pernas bambas… foi o modo como ele me olhou. Naqueles poucos segundos eu me afastei e falei: ‘vou pegar mais alguns para o Jere’.”


Na série, o sentimento da Belly é praticamente silenciado. A cena é enxergada apenas pelo olhar de Conrad, e Belly apenas menciona o irmão – o que pode dar a impressão de que ela está indiferente. Mas no livro, o que ela sente é claro: confusão, desejo e nervosismo. Uma sensação intensa que a deixa sem chão. Essa mudança de perspectiva na adaptação televisiva limita a complexidade emocional de Belly, escondendo as contradições que a tornam humana.

Jeremiah: charme e manipulação disfarçada

Jeremiah, por outro lado, transita entre o amigo compreensivo e o manipulador emocional, com um sorriso. Em diversas cenas do episódio, vemos pequenos sinais disso. Quando Belly diz que o bolo marmorizado que ele quer é caro demais, ele insiste até conseguir. Quando ela pede para o casamento ser na casa de praia, de forma simples, sem convidados aleatórios, é ele quem convence a aceitar algo maior para agradar o pai. Inclusive, permitindo que a secretária com quem o pai teve um caso, organize tudo.


Essas ações, aparentemente inofensivas, revelam um padrão: Jeremiah quer manter o controle de forma sutil, sempre se colocando como o “fácil de amar”, mas desviando dos verdadeiros sentimentos e vontades de Belly. Ao contrário de Conrad, que erra, mas escuta, Jeremiah empurra seus desejos como se fossem soluções.

Amizade vs Amor: quem Belly é com cada um

O episódio deixa clara uma diferença essencial: quem Belly se torna com cada irmão. Com Jeremiah, ela é mais infantil, ri de tudo, evita os conflitos, é a amiga que agrada. Com Conrad, ela é mais madura, encara os silêncios, segura a tensão, e se expõe, mesmo sem saber aonde isso vai dar. É fácil estar com alguém que te faz esquecer quem você é, mais difícil é se entregar a quem te obriga a ser quem você realmente é.

A dança final – e os sinais escondidos

A dança entre Belly e Jeremiah no final do episódio é exatamente o que o título sugere: a última dança. Não só literal, mas emocional. É o encerramento de um ciclo, a despedida do que poderia ter sido, mas nunca foi de verdade. Ao mesmo tempo, o episódio brinca com simbologias visuais riquíssimas: na chegada de Jeremiah em Cousins, há uma flor azul ao lado dele quando a Belly está sentada no colo dele – uma referência ao trecho de Red, da Taylor Swift – (“losing him was blue”). Nos flashbacks com Conrad na cama, aparecem flores vermelhas –  “loving him was red”. Azul é perda calma, quase fria; vermelho é dor intensa, passional, mas amor. 

Por que Belly precisa escolher Conrad?

No desfecho da trilogia, Belly fica uns anos longe de Conrad, e mesmo assim, é com ele que escolhe estar. Porque o que eles têm vai além da paixão juvenil: é compreensão, memória, silêncio, crescimento. É o tipo de amor que sobrevive ao tempo, não porque foi fácil, mas porque foi real. Conrad an ama do jeito certo, e ela precisa aprender a amar a si mesma da mesma forma antes de finalmente voltar para ele.

Conclusão

A Última Dança é um episódio que entende o poder da delicadeza. Ele mostra que às vezes o fim de algo é, na verdade, o começo do que sempre deveria ter sido. Entre flores, silêncios e músicas que dizem mais do que palavras, a série finalmente deixa Belly dançar sozinha o bastante para perceber com quem ela realmente quer estar – e quem ela é quando está com ele. Mas até lá, os fãs ainda vão discutirem qual o Team perfeito para ela. E está tudo bem!




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