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Crítica | O Verão Que Mudou Minha Vida: Episódio 7 revela escolhas de Belly

⚠️ Spoiler! Análise completa do episódio 7 de O Verão Que Mudou Minha Vida: Belly entre Conrad e Jeremiah, os dilemas emocionais e mudanças em relação ao livro

À primeira vista, O Verão Que Mudou Minha Vida pode até parecer só mais um drama adolescente sobre triângulos amorosos. Mas tanto o livro de Jenny Han quanto sua adaptação para a TV carregam uma profundidade que vai além da superfície. Sob um olhar mais crítico, a história trata de amadurecimento, luto, inseguranças e da eterna dúvida entre se entregar a uma paixão arrebatadora ou optar por um amor seguro. E sim, às vezes algumas atitudes podem parecer problemáticas… mas, galera, são adolescentes! Ou devemos dizer: Jovens adultos?

No centro da trama está Belly, dividida entre dois irmãos: Conrad e Jeremiah. Essa divisão não é apenas romântica: simboliza o dilema universal da juventude entre desejar aquilo que nos tira o fôlego e escolher o que nos oferece estabilidade emocional.

Conrad: apego evitativo e o peso do luto

Nesse episódio 7 – que foi ao ar nesta quarta-feira, 20, Conrad é o arquétipo do amor idealizado, aquele que Belly ama desde a infância, mas que nunca se entrega por completo. Psicologicamente, ele carrega traços claros de apego evitativo: ama, mas tem dificuldade de demonstrar; sente, mas se fecha; guarda até sufocar.

Mas não podemos culpa-lo por ser assim, esse padrão nasce do trauma, a doença e morte da mãe, a descoberta da traição do pai, crises de ansiedade e ataques de pânico. Desde cedo, foi empurrado para o papel de “filho perfeito”, responsável e sério, o que lhe deu maturidade precoce, mas também fragilidade emocional. Para ele, amar Belly significava expor vulnerabilidades que não sabia sustentar. Assim, afasta-se como mecanismo de proteção, acreditando que não pode ou não merece amar naquele momento. O que explica de fato as atitudes de Conrad ao longo da série.

Belly: idealização e impaciência

A Belly é um tipo de personagem que a gente chega a odiar, na terceira temporada a gente tem a prova que ela merece ficar sozinhas as vezes, né? Mas ela representa um traço comum na juventude: confundir intensidade com amor verdadeiro. Desde pequena, projeta em Conrad um ideal romântico quase inalcançável. Ao mesmo tempo, espera dele perfeição e reciprocidade imediata, sem dar conta do luto e das fragilidades que ele carregava.

Com Jeremiah, ela experimenta o contrário: leveza, reciprocidade, carinho fácil. Mas ainda assim, não consegue se entregar por inteiro. A verdade? Ela busca em Jeremiah validação e conforto, mas seu coração permanece preso à paixão por Conrad. É a luta entre estabilidade e intensidade, segurança e chama.

Jeremiah: a busca de validação e os ciúmes fraternos

Jeremiah carrega o fardo de sempre viver à sombra do irmão. Enquanto a mãe buscava tratar os dois igualmente, o pai deixava clara a admiração por Conrad, seu “filho promissor”. O resultado foi um Jeremiah constantemente em busca de validação, tentando provar que também merece ser amado e escolhido.

Seu amor por Belly é genuíno, mas atravessado por rivalidade inconsciente: amar Belly significa competir com Conrad, ocupar um espaço de importância que sempre lhe foi negado.

Não é à toa que sua personalidade é mais leve, impulsiva e até superficial em alguns momentos – como quando comenta com os amigos em sua despedida que a amiga de Belly é “gostosa”, algo que Conrad jamais diria. Essa diferença de postura não é apenas roteiro: é a essência da construção dos dois irmãos.

O jogo de perdão e expectativas

Um dos pontos mais reveladores do episódio 7 é o modo como Belly perdoa facilmente Jeremiah, mas guarda mágoas mais profundas de Conrad. Quando Jeremiah a trai, ela compreende e aceita. Mas os erros de Conrad – seus silêncios, afastamentos, frieza – parecem imperdoáveis.

Isso acontece porque Belly coloca Conrad em um pedestal. Quando idealizamos alguém, não conseguimos aceitar suas falhas. Jeremiah, por ser visto como mais humano e acessível, tem espaço para errar. Já Conrad, por representar esse amor idealizado, não pode quebrar a fantasia sem gerar frustração e ressentimento. É verdade que Conrad também cometeu erros – como se afastar dela ou dizer coisas duras, mas a autora sempre deixou claro, de forma direta ou indireta, o quanto ele a ama e se importa. Jeremiah representa aquele relacionamento de melhor amigo, e não há nada de errado em Belly desejar isso. O ponto é que, apesar de tentar se convencer do contrário, tudo que ela sempre sonhou e ainda sonha não é com Jeremiah, e sim com Conrad.

Reprodução / Prime Video

Livro x série: mudanças que revelam intenções

A adaptação de O Verão Que Mudou Minha Vida fez escolhas que aprofundam a narrativa do episódio 7:

  • Convite para o casamento e despedida: no livro, Taylor revela que Conrad convenceu Laurel a ir. Na série, Belly pergunta diretamente a Conrad, e Jeremiah observa – revelando ciúme.
  • Steven e Denise: na série, Steven sai da despedida de Jeremiah para ir encontrar Denise, cena que não existe no livro.
  • Jeremiah e a bebida: Jeremiah joga bebida em Conrad, que sai para se limpar; no livro, não há essa cena.
  • Confissões: Belly conta a Taylor sobre o Natal com Conrad, diferente do livro, em que confessa a Taylor sobre a banheira e que quase o beijou e que realmente queria aquilo por um momento.
  • Busca por Conrad: no livro, Belly pergunta por Conrad assim que Jeremiah chega da despedida com os amigos, ela sai para procurar Conrad; na série, ela que está a espera de Jeremiah na praia.
  • O toque na parede: no fim do episódio, Belly bate na parede, ressignificado para a série, onde mostra o desencontro emocional entre Belly e Jeremiah.

A trilha sonora como tradução emocional

A música no episódio 7 funciona como fio narrativo dos sentimentos:

  • We Can’t Be Friends (Wait for Your Love)” – Ariana Grande: toca durante a despedida de Belly, enquanto ela lembra momentos com Conrad, reforçando que seu coração ainda pertence ao primeiro amor.
  • When the Party’s Over” – Billie Eilish: acompanha o choro de Belly na areia após a declaração de Conrad, simbolizando o fim de algo que nunca se consumou totalmente, mas sempre esteve presente.

Símbolos e detalhes que não podem ser ignorados

  • “Ele me deu o unicórnio grande e ele me deu minha mãe”, diz Belly para Taylor em um momento de surto. Isso mostra que Conrad não é apenas um amor romântico, mas parte da história emocional de Belly.
  • Ciúme silencioso de Belly: quando Anika chama Conrad de “hot”, evidencia desejo persistente.
  • Conrad se confortando: Após a declaração, Conrad se senta fora da casa passando a mão no peito/ombro, onde mostra ele confortando a si mesmo depois das palavras duras de Belly. Ou seria um ataque de pânico? Vemos como um conforto a si mesmo.
  • Contraste entre irmãos: Jeremiah busca intensidade imediata; Conrad permanece como amor consistente, mesmo no silêncio.

Conclusão: a chama e a luz

O episódio 7 é um estudo sobre amadurecimento emocional. Conrad mostra como o luto e a ansiedade podem travar a entrega ao amor, criando padrões evitativos. Jeremiah simboliza a busca por validação, a necessidade de ser visto e amado. Belly encarna a confusão da juventude, entre idealizar e viver o real, entre querer a chama que queima e a luz que permanece.

O episódio deixa claro – especialmente nas mudanças de roteiro e na trilha sonora, que todas as memórias mais profundas de Belly pertencem a Conrad. Mesmo tentando se convencer de que Jeremiah é sua escolha racional, ela não consegue apagar o amor visceral pelo irmão mais velho.

No fundo, a grande pergunta não é “com quem Belly vai ficar?”, mas: será que ela será capaz de amar de forma empática, madura e consciente?

Talvez essa seja a verdadeira lição do verão, aquele que realmente mudou a vida deles. Mas, para nós, ficou apenas o verão que devastou tudo. Haha

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