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Bon Appétit, Vossa Majestade: Crítica Completa, Manguroki, viagem no tempo e final emocionante

⚠️| Contém Spoilers – Bon Appétit, Vossa Majestade: análise completa do enredo, Manguroki, viagem temporal, pontas abertas e o final emocionante com Ji Yeong e o rei Yi Heon


A nova minissérie da Netflix, Bon Appétit, Vossa Majestade, chegou ao final neste domingo (28) e mistura romance histórico, comédia, fantasia temporal e gastronomia, criando uma narrativa complexa e emocionante. A história acompanha Ji Yeong, interpretada por Im Yoon-ah, uma jovem coreana que morava em Paris para uma competição culinária. Antes de retornar à Coreia, seu pai pede que ela leve um livro especial – o Manguroki – que ela carrega consigo na bolsa durante o voo.

Im Yoon-ah já é reconhecida por seu trabalho em dramas como The K2 e Big Mouth, mostrando habilidade em personagens fortes e determinados. Neste dorama, ela entrega uma performance consistente, equilibrando a vulnerabilidade de Ji Yeong com sua coragem e inteligência culinária.

O Manguroki e a Viagem Temporal

O Manguroki é um livro de receitas escrito pelo Rei Yi Heon, interpretado por Lee Chae-min, que documenta receitas e vamos dizer, algumas memórias. Durante o voo de volta para a Coreia, Ji Yeong molha o livro acidentalmente no banheiro do avião e, ao ler uma frase do Manguroki, é transportada para a era Joseon, cerca de 1.500 anos no passado.

Lee Chae-min, escalado de última hora, entrega uma performance impressionante, com expressões faciais e emoções pontuadas de forma magistral. Ele consegue transmitir a complexidade de Yi Heon – “tirano”, mas vulnerável – tornando o rei cativante e emocionalmente convincente.

O livro funciona como ponte entre passado e futuro, mas Ji Yeong conhece a história da Joseon e sabe o que vai acontecer, mas não interfere durante a maior parte do tempo, permitindo que os acontecimentos fluam naturalmente.

A Alteração da História no Final

O momento decisivo ocorre no final, isso porque na linha temporal original, o rei Yi Heon teria um destino trágico. Ji Yeong, consciente de tudo, decide agir para salvá-lo, se sacrificando no lugar dele no último episódio. Esse ato altera a história original apenas no desfecho, garantindo a sobrevivência de Yi Heon. Sua intervenção final mostra que, embora grande parte da história deva acontecer como registrada, um único ato corajoso pode reescrever o destino de alguém.

Isso reforça a ideia de que experiências individuais podem reescrever destinos, mesmo em contextos históricos aparentemente fixos.

Retorno ao Futuro e a Ponta Aberta de Yi Heon

No clímax da história, Ji Yeong leva uma espada nas costas para proteger o rei Yi Heon. Esse ato funciona como o gatilho que a faz voltar para o futuro, simbolizando que sua morte na era Joseon foi necessária para que a linha temporal se restabelecesse e o rei sobrevivesse.

A série deixa algumas pontas abertas que intrigam:

  • Hospital e cicatriz: Ji Yeong acorda diretamente no hospital no futuro. Não é mostrado o processo de retorno, nem se a cicatriz que ela carrega é resultado da espada ou do acidente com o vidro do banheiro do avião. Esse mistério mantém a narrativa envolta em magia e simbolismo, permitindo diferentes interpretações.
  • Retorno ao futuro: A transição não é explicada de forma lógica, reforçando que a viagem no tempo no dorama é tanto emocional quanto mágica.

O Pai de Ji Yeong e o Manguroki

Outro ponto interessante é o pedido do pai de Ji Yeong, que solicita que ela leve o Manguroki:

  • O livro é o catalisador de toda a viagem temporal.
  • Isso levanta a possibilidade de que o pai tenha alguma ligação com a era Joseon, ou ao menos com a preservação do Manguroki, embora a série não esclareça completamente.
  • Seu pedido sugere que ele sabia do valor histórico e mágico do livro, colocando Ji Yeong em posição de interagir com o passado.

Essa conexão abre espaço para teorias: talvez ele estivesse ciente de que o Manguroki poderia permitir viagens no tempo, e seu papel seja mais do que apenas familiar preocupado, uma ponte entre presente e passado.

Netflix / Cortesia

Já sobre o rei, o ponto de vista é: o atraso de um mês sugere que Yi Heon precisou criar conscientemente a própria passagem temporal, possivelmente escrevendo um novo Manguroki, e a série deixou propositalmente essa ponta aberta para reforçar o mistério mágico e a importância do vínculo emocional entre os personagens. Ou seja, talvez ele precisasse alinhar suas próprias ações e sentimentos antes de conseguir ser levado ao futuro

Um outro ponto, é quando Ji Yeong retorna ao futuro para iniciar seu novo emprego como chef, ela encontra todas as pessoas que a ajudaram na cozinha durante sua passagem na era Joseon. No entanto, eles voltaram como novas pessoas, sem lembranças de terem vivido na era Joseon, diferente do rei Yi Heon, que mantém todas as memórias da época antiga. Essa diferença reforça que só os personagens com conexão emocional profunda e intencional com o passado conseguem transportar suas lembranças, enquanto os demais retornam transformados apenas simbolicamente, prontos para viver novas histórias no futuro, mas mostrando que o destino – se é que podemos falar assim – os levou para ela.

Sobre o rei voltar com sua personalidade única

Uma das escolhas mais inteligentes da série foi trazer o próprio rei Yi Heon para o futuro, mantendo sua personalidade intensa e autoritária de 1.500 anos atrás. Enquanto todos os outros personagens retornam como novas pessoas, sem lembranças do passado, ele chega ao presente com todas as memórias intactas, e ainda se vê como um rei, mesmo que nesse novo mundo ele não exerça mais poder algum.

Essa justaposição é ao mesmo tempo divertida e fascinante: imaginar um monarca da era Joseon tentando se adaptar ao século XXI, com seu temperamento e exigências típicas, enquanto Ji Yeong precisa lidar com ele e “administrar” sua presença, cria momentos ricos de humor e tensão.


Do ponto de vista crítico, essa camada adiciona profundidade emocional e narrativa: mostra como a experiência de Yi Heon não desapareceu com o tempo, como ele ainda carrega seu senso de responsabilidade e autoridade, e como essa personalidade molda a dinâmica final entre os protagonistas. É uma forma genial de explorar as consequências do passado no presente, trazendo humor, charme e complexidade à reta final da história.

Epílogo e Significado Narrativo

O epílogo mostra Ji Yeong (Im Yoon-ah) e Yi Heon (Lee Chae-min) vivendo juntos no futuro. Isso simboliza:

  • Impacto duradouro do passado: Algumas partes de nós permanecem, mesmo quando o tempo muda o contexto ao redor.
  • Amor e conexão que transcendem eras: Mesmo com as limitações temporais, a relação deles se concretiza.
  • Renascimento e reconstrução: Ji Yeong retorna com memórias intactas, transformada pelas experiências, e constrói, junto com Yi Heon, uma nova história.

Conclusão

No final, a história mostrou que Ji Yeong sempre esteve conectada aos dois mundos, tanto ao presente quanto ao passado. A forma como ela cozinha, especialmente durante a competição em que prepara um prato inspirado na era antiga, revela que suas memórias de Joseon estavam presentes, mesmo que de forma subconsciente.

Esse elo entre os mundos reforça a ideia de que passado e presente podem se entrelaçar, moldando não apenas a narrativa, mas também a própria identidade de Ji Yeong. Embora os primeiros episódios de Bon Appétit, Vossa Majestade sejam lentos, é uma obra sofisticada, que combina drama, comédia e fantasia histórica de maneira harmônica.

A cena final, simboliza que ele cumpriu o que prometeu para ela: “Eu fiz uma promessa a ela, que eu pessoalmente faria bibimbap para ela todas as manhãs. Se uma refeição feita com carinho pudesse cuidar dela e animá-la, então eu alegremente faria bibimbap para ela,” diz o rei no Manguroki. Emocionou!

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