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Bad Bunny transforma o Super Bowl em manifesto latino e celebração cultural

O Super Bowl LX, em 8 de fevereiro de 2026, entrou para a história não apenas pelo futebol americano, mas pelo intervalo mais emblemático da história do evento. Bad Bunny não fez apenas um show: ele construiu um manifesto cultural e político, transformando o palco mais assistido do mundo em um espaço de celebração da identidade latina, da união continental e da crítica social.

Desde o início, a estética do show deixou claro que se tratava de muito mais do que música. O palco foi transformado em uma homenagem a Porto Rico, com ruas cenográficas, casas típicas e a famosa casita, onde convidados especiais surgiam em cenas que remetiam à vida cotidiana da ilha. Cada detalhe reforçava a mensagem central: a cultura latina não é apenas entretenimento, é memória, resistência e identidade viva. Ao colocar Porto Rico no centro do Super Bowl, Bad Bunny elevou a narrativa visual a um nível histórico.

Participações e momentos musicais

O espetáculo contou com participações icônicas que reforçaram seu peso simbólico. Lady Gaga cantou uma versão em salsa de Die With a Smile, hit de 2024 com Bruno Mars, enquanto no palco ocorria o casamento de outro casal, um momento de celebração da diversidade e do amor. Ricky Martin subiu para interpretar Lo Que Le Pasó a Hawái, conectando o show à identidade porto-riquenha e à música latina que marcou gerações.

Na casita, Karol G, Pedro Pascal, Cardi B e Jessica Alba apareceram, reforçando a união entre artistas latinos e celebrando a cultura de maneira coletiva. O repertório transitou entre reggaeton, salsa e pop latino, incluindo sucessos como Tití Me Preguntó, NUEVAYoL, Yo Perreo Sola, El Apagón, Café con Ron e DtMF, mantendo o público global engajado do início ao fim.

Mensagem política e manifesto cultural

O ponto mais marcante da apresentação foi a mensagem de unidade e identidade continental. Bad Bunny disse “Deus abençoe a America” e em seguida citou todos os países do continente americano, reforçando que a América é muito mais do que os Estados Unidos:

América do Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela

América Central: Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá

Caribe: Cuba, República Dominicana, Haiti, Jamaica, Bahamas, Barbados, Antígua e Barbuda, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago

América do Norte: Canadá, Estados Unidos e México

(Porto Rico também teve destaque simbólico, reforçando sua identidade própria dentro do continente.)

Getty | Divulgação

No telão, a frase “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor.” reforçou o clima de reflexão social e política. Ao final, Bad Bunny concluiu: “Together, we are America”, lembrando que pertencimento e identidade vão muito além de fronteiras políticas.

O Grammy simbólico e a crítica social

Um dos momentos mais emocionantes do show foi quando Benito entregou seu Grammy a ele mesmo pequeno, recriando simbolicamente seu próprio passado e conectando-o ao discurso que fez no Grammy 2026, no qual pediu “ICE out” e denunciou o racismo.

Reprodução | X

Esse gesto representou legado, representatividade e esperança, mostrando que os sonhos e a cultura latina merecem ser celebrados e reconhecidos globalmente. Ao dar o prêmio a si mesmo, Bad Bunny reforçou a ideia de que a identidade latina deve ser valorizada desde a infância e que cada artista carrega sua história e sua luta consigo.

A importância histórica do show

Mesmo diante de críticas, a apresentação foi um marco para a música latina e para a visibilidade cultural. Bad Bunny provou que é possível ocupar o palco mais visto do planeta sem abrir mão da própria identidade, cantando quase todo o show em espanhol, celebrando a cultura latina e enviando uma mensagem política e social clara. O intervalo do Super Bowl 2026 reforçou que música, entretenimento e manifesto social podem coexistir, conectando diferentes gerações e culturas.

No final, o espetáculo lembrou que todos somos americanos, transcendendo fronteiras políticas e culturais. Como disse o próprio Bad Bunny: “Agora todos querem ser latinos, mas lhes faltam o tempero.

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