O sucesso de uma história não termina quando a última página é virada. No Brasil, cada vez mais livros encontram uma nova audiência ao serem adaptados para o audiovisual, e esse movimento também tem refletido diretamente nas livrarias. Um levantamento da NielsenIQ BookData, realizado a pedido da Netflix, mostra que produções inspiradas em obras literárias têm impulsionado significativamente as vendas dos títulos originais.
Os dados reforçam uma tendência que vem ganhando força nos últimos anos: quando uma história chega ao streaming, cresce também o interesse do público em conhecer ou revisitar a obra que deu origem à produção.
‘Pssica’ registra aumento de mais de oito vezes nas vendas
Entre os destaques da pesquisa está “Pssica”, romance do escritor paraense Edyr Augusto. Após o lançamento da minissérie produzida pela O2 Filmes para a Netflix, com direção de Quico Meirelles e Fernando Meirelles, o livro teve um salto expressivo no mercado editorial.
Segundo o levantamento, as vendas foram multiplicadas por mais de oito vezes nas semanas seguintes à estreia da produção, em comparação com o mesmo período do ano anterior, evidenciando o impacto que uma adaptação pode gerar para autores e editoras.
Outros livros também registraram forte crescimento
O fenômeno não ficou restrito a “Pssica”. O estudo aponta que outras adaptações também despertaram o interesse dos leitores. O livro-reportagem “Todo Dia a Mesma Noite: A História Não Contada da Boate Kiss”, da jornalista Daniela Arbex, teve as vendas multiplicadas por mais de três vezes após ganhar uma minissérie ficcional produzida pela Morena Filmes.
Já o romance “O Filho de Mil Homens”, do escritor português Valter Hugo Mãe, registrou um crescimento ainda maior, com vendas sete vezes superiores após a adaptação para o cinema dirigida por Daniel Rezende. Os resultados mostram que o audiovisual funciona como uma vitrine para obras literárias, levando novos leitores às livrarias e ampliando o alcance dos autores.
Netflix destaca impacto positivo para o ecossistema cultural
Para a vice-presidente de Conteúdo da Netflix Brasil, Elisabetta Zenatti, o desempenho das obras demonstra que adaptações têm potencial para criar novas conexões entre diferentes públicos. Segundo a executiva, quando uma produção desperta o interesse da audiência, muitas pessoas procuram conhecer a história original, fortalecendo toda a cadeia cultural, que envolve escritores, editoras, produtores e o setor audiovisual.
“Nos orgulhamos de saber que, a partir de nossos filmes e séries, as boas histórias alcançam novas audiências, o que fortalece o ecossistema cultural como um todo,” salivou Elisabetta !
A plataforma também destaca que adaptações literárias permanecem entre as preferências dos brasileiros. Em 48 das 52 semanas de 2025, pelo menos uma produção baseada em livros figurou entre os dez conteúdos mais assistidos da Netflix no país.
Novas adaptações já estão em desenvolvimento
A aposta da Netflix em obras literárias brasileiras continua. Entre os próximos projetos anunciados estão as adaptações de “A Estranha na Cama”, de Raphael Montes, e “O Diário de Um Mago”, de Paulo Coelho.
A estratégia reforça o investimento da plataforma em histórias já consolidadas no universo literário, que chegam ao streaming com potencial para conquistar novos públicos e impulsionar novamente o mercado editorial.
Netflix marca presença na Flip 2026
A relação entre literatura e audiovisual também estará em destaque durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada entre os dias 22 e 26 de julho de 2026, da qual a Netflix é patrocinadora.
Entre as ações programadas está a exibição do primeiro episódio de “Cem Anos de Solidão – Parte Dois”, adaptação da clássica obra de Gabriel García Márquez, dirigida por Laura Mora. A sessão acontece no Cinema da Praça e será aberta ao público mediante disponibilidade de ingressos.
Além disso, a empresa participará de painéis promovidos em parceria com editoras presentes no evento. Na programação da Companhia das Letras, o debate abordará o documentário sobre a velejadora brasileira Tamara Klink. Já na Editora Record, o foco será a adaptação de “Os 12 Signos de Valentina”, com participação da escritora e roteirista Ray Tavares.
As mesas reúnem executivas da Netflix, produtoras, diretoras e profissionais envolvidos na transformação de livros em filmes, séries e documentários, ampliando a discussão sobre o crescimento das adaptações literárias no entretenimento brasileiro.
