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XO, Kitty 3ª temporada: Final aberto, decisões difíceis e crescimento marcam a melhor fase da série

⚠️ Contém spoilers! Crítica da 3ª temporada de XO, Kitty: final com Min Ho indo atrás de Kitty, amadurecimento dos personagens e o que esperar da possível 4ª temporada.

A terceira temporada de XO, Kitty representa uma virada importante na narrativa: o romance deixa de ser o objetivo final e passa a ser apenas parte de um processo maior, o de crescer, escolher e lidar com as consequências dessas escolhas.

Mesmo mantendo o tom leve e jovem, a série acerta ao retratar com precisão o momento entre os 16 e 18 anos, em que tudo parece urgente: relacionamentos, amizades, identidade e, principalmente, o futuro. E é justamente nesse caos emocional que a temporada encontra sua força.

Kitty: impulsiva, caótica… e finalmente mais consciente

A Kitty Song Covey (Anna Cathcart) continua sendo o centro de tudo. Impulsiva, intensa e muitas vezes intrometida, ela ainda se envolve em situações que não são dela, especialmente quando tenta ajudar quem ama. Mas o diferencial desta temporada é que Kitty começa a entender o impacto dessas atitudes. Ela não deixa de errar, mas passa a lidar com os erros de forma mais consciente.

Isso fica claro em momentos como sua conversa com o Min Ho no episódio 7, quando, diferente de conflitos anteriores, ela escuta, se posiciona e tenta realmente construir um diálogo. É um avanço importante para uma personagem que sempre agiu primeiro e pensou depois.

Min Ho: carisma, insegurança e dificuldade de se abrir

Já Min Ho (Sang Heon Lee), se consolida como um dos personagens mais complexos da série. Leal, parceiro e emocionalmente envolvido, ele carrega uma insegurança profunda, muito ligada à relação com o pai e à constante sensação de não ser suficiente. Essa pressão interna faz com que ele tenha dificuldade em se expressar, em perdoar e até em se abrir completamente.

Quando ele diz para a Kitty – de forma indireta – que a insegurança diz mais sobre quem sente do que sobre o outro, ele traz uma verdade importante, mas a série mostra que isso não é tudo. Relações também exigem construção conjunta, comunicação e consistência, algo que ainda falta entre os dois em vários momentos.

A dinâmica entre Kitty e Min Ho continua marcada por idas e vindas, algo que pode ser visto como repetitivo, mas que faz sentido dentro da proposta. O relacionamento deles não nasce pronto, ele é construído aos poucos, passando por conflitos, amizade e descoberta. Esse processo reflete o amor adolescente em sua forma mais real: confuso, intenso e cheio de desencontros.

E é justamente no episódio final, “lista de desejos”, que essa construção ganha um novo significado. Kitty toma uma das decisões mais maduras da temporada ao escolher seguir seu próprio caminho, mesmo amando Min Ho. Ela entende que os dois têm futuros diferentes e que faz parte da transição para a vida adulta priorizar o próprio crescimento.

Mas o grande destaque desse final está no próprio Min Ho. Ao invés de se fechar ou se afastar, ele faz o oposto: vai atrás dela, se declara e decide embarcar junto, literalmente. Ele entra no avião com Kitty rumo a Portland, disposto a conhecê-la de verdade, incluindo sua família. Esse gesto marca uma mudança importante no personagem, mostrando que, apesar das inseguranças, ele está tentando agir de forma mais madura e alinhada com o que sente.

Novo capítulo à vista reforça paralelo entre as irmãs Covey

O fechamento do episódio 8, não só reforça o sentimento entre Kitty e Min-ho, como também deixa um caminho claro para a próxima temporada: um novo cenário, novos desafios e uma relação que pode finalmente ser explorada com mais profundidade, longe do ambiente de Seul e mais próxima da vida pessoal da Kitty. A expectativa é que esse próximo capítulo envolva faculdade, novas escolhas e, quem sabe, até a presença da Lara Jean Covey (Lana Condor) e de Peter Kavinsky (Noah Centineo), reforçando ainda mais a conexão entre as histórias.

E esse paralelo entre as irmãs é inevitável. As jornadas são semelhantes: ambas vivem amores intensos, dúvidas sobre o futuro e o desafio de crescer. Mas a forma como lidam com isso é diferente. Lara Jean é mais sonhadora, cautelosa e emocionalmente organizada. Já Kitty é mais impulsiva, prática e intensa, ela vive primeiro, entende depois.

Yuri assume protagonismo nessa nova fase

Nesta temporada, de todos, sentimos que a Yuri Han (Gia Kim) surge como a personagem que mais evolui ao longo da jornada, e talvez a que vive a transformação mais concreta. Se antes ela era definida por status, dinheiro e influência, agora a narrativa coloca Yuri em um lugar completamente diferente: o de quem precisa provar valor sem nenhum desses atalhos.

Ao recomeçar sem os privilégios, ela deixa de ser apenas “a garota que tem tudo” para se tornar alguém que precisa construir algo por conta própria. E é justamente na moda que essa virada acontece de forma mais simbólica. O que antes poderia ser apenas extensão do seu estilo de vida passa a exigir dedicação, esforço e vulnerabilidade. Esse processo expõe uma nova camada da personagem. Ela se torna mais humilde, mais consciente e, principalmente, mais autêntica. Pela primeira vez, suas conquistas deixam de estar associadas ao sobrenome ou à posição social e passam a refletir quem ela realmente é e o que ela é capaz de fazer.

Mais do que uma evolução individual, a trajetória de Yuri reforça uma das principais mensagens da temporada: crescer nem sempre é sobre avançar, às vezes, é sobre ter a coragem de voltar ao início e reconstruir com bases mais sólidas.

Conclusão

No fim, mesmo com críticas sobre o vai e vem do casal principal, esse movimento faz parte da essência da série. O amor adolescente raramente é linear. Ele se constrói entre erros, afastamentos e reencontros, e, no caso de Kitty e Min Ho, essa construção acontece de forma gradual e natural, desde quando eles nem se gostavam até o momento em que se descobrem um no outro.

Netflix | Divulgação

Como toda história criada por Jenny Han, o romance continua sendo uma promessa, e provavelmente um destino. Mas, como de costume, ele não vem como solução imediata, e sim como algo que precisa de tempo, crescimento e escolhas mais conscientes.

A terceira temporada de XO, Kitty não entrega apenas mais um capítulo romântico. Ela entrega um retrato honesto sobre amadurecer, com todas as dúvidas, erros e decisões difíceis que fazem parte desse processo. E se o futuro ainda está em aberto, uma coisa é certa: o romance continua. Mas agora, ele vem acompanhado de algo mais importante: evolução.

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