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Rio fora das turnês? Entenda por que shows internacionais estão concentrados em São Paulo

Nos últimos meses, fãs começaram a notar um padrão: vários artistas internacionais anunciam turnês e, quando o assunto é Brasil, a parada costuma ser apenas uma: São Paulo. Nomes como Harry Styles, Zayn e até fenômenos globais do K-pop passaram ou devem passar pelo país sem incluir o Rio de Janeiro na rota.

Mas isso não é uma coincidência, nem uma “antipatia” com a cidade. Existe uma lógica de mercado por trás dessa mudança.

O Brasil virou “uma data só” nas turnês internacionais

Antigamente, artistas internacionais costumavam fazer pelo menos duas cidades no Brasil: São Paulo e Rio de Janeiro. Em algumas épocas, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte também entravam na rota. Hoje, a realidade é diferente.

As turnês globais estão:

  • mais curtas
  • mais caras
  • mais estratégicas

Isso faz com que o Brasil muitas vezes entre no cronograma com apenas uma data, e não uma mini-turnê nacional. Quando a escolha é só uma cidade, a decisão acaba sendo quase automática: São Paulo.

São Paulo concentra o público e o dinheiro

Do ponto de vista de mercado, São Paulo é a cidade mais segura para qualquer artista internacional.

Isso acontece porque:

  • é a maior cidade da América Latina
  • tem maior concentração de renda
  • recebe público de outros estados
  • concentra grandes marcas e patrocinadores

Na prática, isso significa que:

  • um show em São Paulo pode vender o mesmo que dois shows em cidades diferentes
  • o risco de prejuízo é menor
  • o artista e a produtora gastam menos com logística

Para uma turnê internacional, isso pesa mais do que qualquer outro fator.

O custo de fazer duas cidades nem sempre compensa

Trazer uma turnê internacional envolve: transporte de equipamentos gigantes, equipe técnica estrangeira, montagem de palco, aluguel de estádio ou arena e hospedagem de centenas de pessoas.

Cada cidade extra significa: mais transporte, mais custos e mais risco. Se um show em São Paulo já garante lucro, muitas produtoras preferem não assumir o risco de uma segunda data no Rio.

Problemas recentes afetaram a imagem do Rio

Outro fator importante é a percepção internacional.

Nos últimos anos, o Rio teve:

  • shows com vendas abaixo do esperado
  • problemas logísticos
  • polêmicas com organização de eventos
  • repercussão mundial de situações extremas, como o calor intenso em apresentações

Esse tipo de episódio impacta a forma como turnês globais enxergam a cidade. Grandes produções trabalham com planejamento de anos e tendem a escolher os lugares com menos variáveis de risco.

Estrutura e mercado concentrados em São Paulo

Hoje, a maior parte das grandes produtoras e patrocinadores do país está baseada em São Paulo. Além disso:

  • grandes festivais acontecem na cidade
  • contratos com estádios e arenas são centralizados
  • o mercado publicitário é mais forte

Isso transforma São Paulo no principal hub de shows internacionais da América Latina. Para muitos artistas, a lógica é simples: “Se vamos fazer apenas um show no Brasil, que seja onde tudo está concentrado.

O Rio deixou de ser relevante? Não. O Rio continua sendo um dos maiores mercados culturais do país e ainda recebe grandes eventos.Mas hoje ele aparece mais em:

  • festivais como Rock in Rio
  • turnês muito grandes, com várias datas no Brasil
  • artistas com demanda extremamente alta

Ou seja, o Rio não saiu do mapa, ele apenas deixou de ser uma parada obrigatória em todas as turnês.

A tendência para os próximos anos

Se nada mudar no cenário de mercado, a tendência é: São Paulo continuar como principal parada internacional, o Rio receber shows mais pontuais ou ligados a festivais e outras capitais aparecerem apenas em turnês muito grandes.

A decisão não é emocional nem artística. É, acima de tudo, financeira e estratégica.

Diferente do pop, a música eletrônica ainda circula por várias cidades

Esse movimento de concentração em São Paulo acontece principalmente com artistas de pop, rock e K-pop, que viajam com estruturas gigantes e turnês caríssimas. Na música eletrônica, o cenário é outro. DJs e produtores costumam viajar com equipes menores, sem grandes palcos ou cenografias, o que reduz custos e facilita a logística.

Além disso, a eletrônica funciona muito através de festivais e clubes, que estão espalhados por várias capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Recife. Como o modelo é mais flexível e o público é forte em diferentes regiões, esses artistas conseguem montar rotas com várias cidades, e não apenas uma parada única em São Paulo.

Na prática, enquanto o pop internacional está cada vez mais concentrado em uma data estratégica, a música eletrônica continua operando em um formato de circuito, passando por diferentes cidades do país.

Conclusão:

Os artistas não estão “ignorando” o Rio por preferência pessoal. A mudança acontece porque as turnês ficaram mais caras e estratégicas, e São Paulo oferece mais segurança financeira, público e estrutura.

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