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Crítica | My Chemical Romance no Brasil: um retorno épico após quase duas décadas

Quase duas décadas depois da última vez que passou pelo Brasil, o My Chemical Romance finalmente voltou aos palcos brasileiros. Os shows aconteceram nos dias 5 e 6 de fevereiro de 2026, no Allianz Parque, em São Paulo, e rapidamente ficou claro que aquilo não seria só mais uma apresentação internacional. Era um reencontro que muita gente achou que nunca mais ia acontecer.

Desde cedo, o clima ao redor do estádio já era diferente. Fãs chegando horas antes, camisetas antigas misturadas com produções novas, pessoas de várias idades dividindo o mesmo espaço. Tinha gente que viu a banda nos anos 2000, gente que conheceu o My Chemical Romance bem depois, mas todo mundo parecia sentir a mesma coisa: a sensação de que aquele momento era especial.

A espera, o silêncio e o impacto do show

A noite começou com o The Hives, que entregou um show barulhento, rápido e cheio de energia. Serviu perfeitamente para aquecer o público, mas também deixou claro que todo mundo estava ali esperando outra coisa.

Quando o palco foi preparado para o My Chemical Romance, o clima mudou. As luzes se apagaram, o estádio ficou em silêncio por alguns segundos e a tensão tomou conta. Era aquele tipo de pausa que só acontece quando todo mundo sabe que algo grande está prestes a começar.

A banda entrou sem exageros. O palco escuro, a luz bem marcada e a estética direta deixaram claro que o foco seria a música. Gerard Way apareceu no centro do palco com presença forte, visivelmente emocionado, mas contido. A conexão com o público aconteceu naturalmente.

A construção do show e a reação do público

O começo do show foi mais pesado, quase introspectivo. Aos poucos, a banda foi aumentando a intensidade, e o público foi junto. Cada música parecia destravar uma memória diferente em quem estava ali. O estádio inteiro cantava junto, do começo ao fim, como se o show fosse uma conversa entre banda e plateia.

Não era só sobre ouvir as músicas, mas sobre viver cada verso. Em vários momentos, dava para ver gente chorando, se abraçando, olhando em volta como se tentasse guardar aquela cena na memória.

O setlist e o momento em que tudo explodiu

O repertório passou por várias fases da carreira da banda. Músicas como Helena, I’m Not Okay (I Promise), Teenagers e Famous Last Words surgiram em momentos estratégicos, sempre acompanhadas por uma reação enorme do público.

Mas o ponto mais alto da noite veio com Welcome to the Black Parade. Desde os primeiros acordes, o Allianz Parque virou um grande coro. Não existia mais palco e plateia, todo mundo cantava junto, em um daqueles momentos que dificilmente se repetem.

A banda também incluiu músicas menos óbvias, agradando fãs antigos e mostrando que o show não era só uma sequência de hits, mas uma celebração da história do My Chemical Romance.

O final e a sensação de ter vivido algo raro

O encerramento foi intenso e direto. A banda agradeceu, se despediu e deixou o palco sob aplausos longos. Muita gente demorou a ir embora, como se precisasse de um tempo para entender que aquilo realmente tinha acontecido.

Depois de 18 anos de espera, o My Chemical Romance voltou ao Brasil do jeito certo: com um show forte, emocional e totalmente conectado com o público. Não foi só sobre nostalgia. Foi sobre pertencimento, memória e a prova de que essas músicas ainda fazem sentido, talvez até mais do que antes.

Para quem esteve lá, ficou a sensação de ter participado de algo único. Para quem não foi, restou ouvir os relatos e entender por que essas noites já entraram para a história.

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