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The Runarounds da Prime Video: autenticidade musical, mas enredo repetitivo e sem fôlego

The Runarounds, nova série do Prime Video criada por Jonas Pate (Outer Banks), aposta em uma banda real e muita música. Mas será que o drama juvenil tem força para durar?

Quando o nome de Jonas Pate aparece em uma produção, a expectativa é imediata. O diretor e roteirista, responsável por cocriar Outer Banks, chega ao Prime Video com The Runarounds, uma série que pretende capturar a essência da juventude em busca de sonhos musicais. A escolha da protagonista não passou despercebida: Lilah Pate, filha do próprio Jonas, assume o papel central. A decisão, embora natural, levanta debates sobre nepotismo e sobre o quanto o peso do sobrenome ajudou na escalação.

Visualmente, a série segue os mesmos passos de OBX: uma estética solar, alaranjada, com aquele ar eterno de verão. Funciona bem para evocar nostalgia e leveza, mas ao mesmo tempo denuncia certa falta de ousadia. É como se The Runarounds reciclasse não apenas a paleta visual, mas também parte da atmosfera que já conhecemos na série adolescente do streaming vizinho.

A força de uma banda que existe de verdade

Se há algo que diferencia The Runarounds de outros dramas juvenis, é o fato de a banda não ser apenas ficção. William Lipton, Axel Ellis, Jeremy Yun, Zendé Murdock e Jesse Golliher não foram escolhidos só por atuarem: eles são músicos de verdade, selecionados entre mais de 5 mil inscritos. Esse detalhe muda completamente a forma como as performances chegam ao público.

A química entre eles é real. Quando estão no palco, tocando músicas originais como “Funny How the Universe Works”, a energia transborda pela tela. Diferente de produções em que atores apenas fingem tocar instrumentos, aqui a autenticidade é inegável. Essa conexão faz com que o espectador sinta vontade de acompanhar o grupo também fora da série, como se estivesse descobrindo uma nova banda indie no início da carreira.

Cortesia / Prime Video

Música como protagonista

A trilha sonora também chama atenção por outro motivo: algumas faixas remetem à estética já usada em Outer Banks. A sensação é de déjà vu, como se algumas ideias musicais tivessem sido recicladas. Ainda assim, as canções funcionam bem para transmitir a vibração jovem, de liberdade e busca por identidade.

Nesse ponto, The Runarounds acerta em cheio: a música não é apenas pano de fundo, mas personagem central. É através dela que os laços do grupo se fortalecem, e é ela que sustenta os momentos mais emocionantes da trama.

Onde o roteiro desafina

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito do enredo. O drama juvenil apresenta uma narrativa repetitiva e pouco envolvente. Muitas cenas parecem esticadas ou redundantes, como se não houvesse confiança no arco central. O espectador, em vez de ser levado por um ritmo crescente, se vê preso a uma cadência irregular, que alterna entre empolgação e marasmo.

Os personagens, embora carismáticos, carecem de profundidade. Suas motivações são superficiais e seus conflitos parecem resolvidos rápido demais, sem gerar impacto real. O resultado é um roteiro que deixa lacunas: algumas sequências chegam a confundir, e outras passam a sensação de serem apenas “encheção de linguiça”. Um ponto positivo? Eles realmente parecem estar no ensino médio – coisa que muita série peca ao escalar atores mais velhos que não parecem ser adolescentes.

Atuação medianas

As atuações acompanham essa irregularidade. Não são ruins – em muitos momentos, funcionam bem, principalmente nas cenas musicais. Mas quando a trama exige mais intensidade dramática, as performances soam medianas, sem alcançar o peso emocional necessário. Fica claro que os atores são músicos, o que dá autenticidade às canções, mas fragilidade em diálogos mais densos.

Futuro incerto no catálogo da Prime Video

Jonas Pate já declarou que tem planos para outras temporadas de The Runarounds. No entanto, a série enfrenta um dilema: até que ponto o público vai se manter engajado apenas pela música e pela estética? O Prime Video busca constantemente um título jovem que rivalize com sucessos teen de outras plataformas, mas, sem um enredo mais sólido, The Runarounds corre o risco de ser esquecida após a empolgação inicial.

Para sobreviver, a produção precisará corrigir falhas narrativas, dar mais profundidade aos personagens e ousar além da fórmula já vista. Caso contrário, mesmo com uma banda autêntica e química contagiante, a série pode acabar ofuscada no vasto catálogo da plataforma.

Conclusão

The Runarounds é uma série que brilha quando a música entra em cena. A autenticidade da banda e a energia das performances são o que a torna especial. No entanto, fora dos palcos, a narrativa perde força: personagens mal construídos, enredo repetitivo e estética reciclada impedem que a produção alcance todo o seu potencial.

Para quem busca leveza, vibe de verão e muita música, pode até ser uma maratona agradável. Mas para quem espera um drama envolvente e memorável, The Runarounds desafina antes mesmo de engrenar. E cá entre nós: depois de lançamentos de sucessos e outras produções originais da Prime Video, estamos cada vez mais exigentes com o que esperar da plataforma, né?

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